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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Jealousy


Apolo fechou seus olhos, tão azuis quanto o céu e agora chuvosos, contendo talvez um choro ou um grito de dor que jamais escaparia, incomodando o peito como uma flecha dourada.
[Pertencente ao cupido.]
E com os dedos como os de um devoto amante, acariciou as folhas do loureiro que eram também os cabelos de Dafne, os lábios apertados, os olhos escondendo um sofrimento já antigo e a pele se arrepiando com os lábios de Eros próximos a seu ouvido, sussurrando veneno bem-vindo, queimando memórias como folhas caídas.
[De loureiro.]
“Nunca se perguntou o porquê do deus mais belo nunca ter um ‘felizes para sempre’, Apolo?” – Ele disse, com os braços envolvendo os ombros do deus e com os lábios quase se encostando a sua pele quente.
“Mais vezes do que posso contar, Eros.” – Uma folha caiu. – Ó, Dafne, por que choras? – E uma lágrima rolou. – “Talvez você, como deus do amor, possa me responder.”
“Oras, mas é claro que eu poderia...!” – Sorriu, inclinou-se para frente, olhou no fundo os olhos de Apolo, que era como uma luz fosca ou uma chama lutando para continuar acesa. – “Seria um prazer aliviar esse seu sofrimento, sabe? Com umas respostas.”
[E com meu corpo.]
“Diga-me, então, Eros. Por quê? Por que todo esse sofrimento? Não era o amor o sentimento mais belo?”
“Porque, obviamente, eu já estou há muito apaixonado por você. E seria muita falta de amor próprio deixar que você seja amado por outro que não eu, não?” – E o beijou, beijou como Dafne o beijaria se o amasse, beijou como beijariam Cassandra, Jacinto, Ciparisso, Quione, Corônis, Marpessa, Cirene, Dríope, Urânia, Manto, Tália e Hécuba, se tivesse permitido que todos tivessem tido um final feliz.
[Com amor de verdade.]
Porque eram todos como Hera, todos os deuses muito ciumentos e muitos frios tratando-se de conseguir o que se queriam e agora, Eros conseguira os lábios de Apolo, não para um felizes para sempre, mas se Ananke permitisse, pelo menos para sempre.
[Ou não.]


-

(
Nota da Saki: É MINHA, OK? *apanha*)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"If I can wish for one thing..."


Aquele dia tonou-se nublado e não havia sol em qualquer lugar, aos poucos, das nuvens caiu a mais triste das chuvas, um pranto dos deuses pela morte de um e pela dor de outro.
E Apolo sujou-se de sangue quando chorou abraçado ao corpo de Jacinto, porque nada do que fazia trazia a vida de volta aos olhos dele e a sua pele rósea era fria e cinza de encontro ao seu corpo trêmulo.
Talvez agora ele, que sempre fora imortal, soubesse o que era morrer, pois algo dentro de seu peito havia quebrado e seus cacos o faziam sangrar, mal podia respirar, sem forças para culpar o vento Zéfiro e sem querer aceitar, chorava cada vez mais, afogando a terra em dor e saudades do que não se pode ter por tempo suficiente.
Então deitou-se sobre seu menino e beijou-lhe os lábios pálidos, gélidos e mortos com culpa, detestando aquele sabor de morte. E do sangue de Jacinto e das lágrimas de Apolo, brotaram flores que lamentavam. E pelos gritos do deus, parecia aos mortais que agora todos os dias seriam noites de eclipse, sempre sofridas e sempre sem música. Porque sua própria eternidade assim seria, marcada como eram as pétalas de Jacinto.

[Créditos para Hiei-and-shino pelo final, porque ela é foda e minha diva.]