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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Habitude et dialogue [3]

"Sai daí! Agora!" - Ele esmurra a porta, a voz claramente irritada. - "Abre essa porta, Sonnenwende!"
"Não!" - Ela grita de volta, mais irritada ainda. Ele respira fundo, fala algum palavrão em alemão, fecha os olhos e soca a porta. Ela nem se abala.
"Então me deixa entrar."
"Está louco?! Você não vai tomar banho comigo, se está apertado, usa o outro banheiro."
"Por que não admite que está fugindo de mim?" - Sussurra e encosta a testa na porta. Ele nunca achou que doía tanto ser ignorado por ela, que sentiria tanta a falta, que seria evitado tão perfeitamente por dias. Era verdade que ela demorava no banho, mas nunca trancara a porta. Não para ele.
"Sonnenwende..." - Ele diz um pouco mais alto, as mãos espalmadas na porta - maldita fosse por separá-los! - e a voz sofrida. - "Eu amo você."
Lá dentro, ela finge não ouvir, chorando baixinho.

Habitude et dialogue [2]

"Você não vai parar de ler?" - Ele resmunga, sentado do lado dela, na grama. Não que fosse um safado, mas quando ela o chamara para irem ao parque, imaginou que faria outra coisa além de observá-la ler. - "Nem por um minuto?"
"É meu livro preferido, Lud. Você sabe disso, daqui à pouco eu falo com você. Já, já acabo." - Ela nem se deu ao trabalho de olhá-lo, ele nunca se imaginou com ciúmes de livros. Até um momento atrás, ele gostava deles.
"Princesa?" - Ele sussurra.
"Quê?" - Ela o olha. - "O que você tanto quer que não possa esperar?"
"Olhar nos seus olhos." - E ela sorri. Talvez o livro pudesse esperar um pouco.

Habitude et dialogue [1]

"Nanne?" - Ela grita de susto e se vira, os cabelos caindo nos olhos escuros, a boca escancarada. Ele finge não notar, os olhos brilhantes grudados nos dela. - "Você nunca me contou que dançava no quarto, aru."
"S-Sério, por que você não bateu?!" - Ela gagueja e desvia o olhar, o rosto ardendo. Ele sorri como sempre, mas daquela vez o sorriso era só dela.
"Eu bati, aru, mas você sempre ouve música aos berros." - Ele se aproxima e tira o celular da mão dela. - "Sabia que você fica muito sensual quando dança?" - Ela levanta a sobrancelha, a mensagem é clara. Chama-o de louco, mesmo que se rendendo àquele sorriso. - "E que eu te acho muito bonita quando fica vermelha, aru?"
"Yao, você...." - Ela teria dito que ele tem problemas, mas foi beijada. Como sempre.