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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Who's that girl?

Por favor, vamos parar com isso. Venha. Deite aqui e respire fundo agora. Está mais calma? Por que está tremendo? É frio? É choro? É medo? Não faça isso. Vamos. Abra esses seus olhos. Respire de novo. Não chore, por favor. Cadê aquele seu sorriso? Que fez com ele? Não, não, não. Isso não é desculpa. Essa não é você. Quer um abraço? Quer, não quer? Você gosta de abraços. Parou de chorar? Parou de tremer? Isso, assim está melhor, não está? Deite-se, feche os olhos. Imagine um lugar. Sim, é isso. Apenas esqueça tudo. Essa não é você. Eu te conheço. Eu sei. Dê-me um sorriso. Pode ser fraquinho, eu deixo, mas prometa-me que é de verdade. Você não gosta de mentir, não é? Sim, isso mesmo. Um sorriso! Está se sentindo melhor? Mais um abraço? E um cafuné? Que olhinhos tristes! Que expressão morta! Dê-me sua mão. Aqui, vê? Eu estou aqui. Você está aqui. Há outros e você sabe. Então, por que está fugindo? Que coisa boba. Que medo bobo. Como você é boba. Vamos, quero você como era antigamente. Sinto sua falta. Todos sentem. Claro que sentem! Como não poderiam? Vê? Eles estão ali. Estão olhando por você. Sorria para eles. Acene! Faça isso direito! Bom. Agora, que tal lavar esse rosto? Arrumar essa carinha? Ser aquela de antes? Aquela... você sabe! Você faz falta. E agora, você sabe, não sabe? Claro que sabe. No fundo, você sempre soube. Afinal, eu te contava, não contava? Quando você vinha chorar no meu colo. Acredite, você não está sozinha. Nós estamos aqui. Todos estão. Não tenha medo.
Então, está mais calma?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

30 Letters - Your ex-boyfriend or S[he] be[lie]ve[d].

Sabe-Tudo-Do-Espaço,

A primeira vez que te vi, quando você chegou na escola - um simples aluno novo, daqueles com rostinho tímido, pensei: "Como ele é bonitinho!" ou "Que gracinha!", você era o tipo de cara de quem eu precisava. Quero dizer, um amigo de verdade. Então, ótimo, nos tornamos amigos. E foi aí que eu comecei a te chamar de Sabe-Tudo-Do-Espaço. Porque você amava astronomia e me ensinava tudo. Tudinho. Estrelas? Planetas? Cometas? Galáxias? Você sabia e, uau, eu te admirava muito por saber todas aquelas coisas, mas mais ainda por ter paciência para me ensinar.
Então, chegou o dia em que me apaixonei por você. Um drama. Como eu te contaria isso? Quero dizer, eu te contava tudo, não é? Éramos bons amigos. Grandes amigos, até. Amigos que falavam sobre as estrelas, os planetas, as constelações. Amigos que discutiam video games, que riam por tudo, amigos destinados a se odiarem, por falar nisso. Eu estava desesperada por estar apaixonada, até aquele intervalo:
Você me chamou em um canto, olhou para seus tênis sujos, sorriu sem graça e eu lá, babando quietinha. Você me pediu em namoro. Uau! Uau! Uau! Como a A. conseguiu isso? Finalmente um amor retribuído! Mais: Finalmente um namorado! Óbviamente eu aceitei e então passamos o recreio inteiro tentando bater em um garoto, o Alef - menino baixinho, bem diferente de você, porque ele havia ouvido nossa conversa e queria contar para todo mundo.
Caramba, Sabe-Tudo-Do-Espaço, você quebrou o meu coração, sabia? Bastante. Mas isso já não importa, passou. Passou. Passou. E eu já não ligo. Nem para você, nem para o que fez. Eu aprendi a esquecer o passado, da mesma forma que aprendi como nascem as estrelas.
Porém, você não sabe como doeu saber a verdade, garoto. Como eu chorei a saber que fui usada. Ainda mais para fazer ciúme. Caramba. Só... caramba. Eu gostava mesmo de você, achei que fossemos amigos, mas... era só isso, não é? Eu ainda era a mesma de antes, chata, sem amigos, sozinha, sozinha, sozinha. Por sua culpa, eu voltei a chorar de noite, sabe? Pelo menos, alguém se deu bem nessa história, não é? Ela ficou louca de ciúmes. Você a teve e eu... bom, eu fiquei com as lembranças. Ou melhor: com as ilusões.
Mas quem se importa? Passou. Doeu. Chorei. Gritei. Fiquei sozinha. E você com ela. Típico. Óbvio. Realista. Como eu não fui percerber? Acho que andei demais com a cabeça nas estrelas. Acho que... na verdade, não acho nada. Foi bom para eu aprender. Aprendi a suportar um pouco mais. Então talvez, eu te deva um obrigada. Um simples obrigada. Não por isso, claro, mas por me fazer gostar de astronomia. Fiz amizades verdadeiras por causa disso. E você? Bom, ela terminou contigo, né? E depois, ah, quem se importa?
Você sumiu.
Ainda bem.
Ainda... bem.

Sem [muitos] resentimentos,
A.

PS: Eu dei a volta por cima, sabe? E você?

30 Letters - Someone from your childhood

Ian,
Acho que você seria filho de Poseidon. Quero dizer, eu lembro que você amava o mar, os peixes, a água, tudo. Você queria ser biólogo marinho, não é? Eu lembro. Às vezes fico imaginando se você também lembra - ou melhor, se você ainda pensa em mim. Naquela época, fomos unha e carne, não é? E o tempo em que fomos amigos foi... céus, você sabe. Eu adorava você. Era o melhor amigo do mundo todo.
[...]
Sinto sua falta, amigo. Sinto de verdade. Há umas muitas e muitas vezes em que fico querendo voltar no tempo, ainda brincar com você, ainda ser sua melhor amiga, ainda poder te chamar de 'titio' como meu pai te chamava. Tá, você não gostava, mas era engraçado te ver fazer bico, eu ficava rindo e rindo e rindo. E isso só te irritava mais e mais. Porém, nós nunca brigamos, né? Nunquinha.
[Pensar nisso, ao mesmo tempo que dói, me dá uma sensação boa no peito. Eu ainda te adoro, Ian.]
É só que é estranho, saber que... não somos mais aquelas crianças. Sequer somos amigos. Ou talvez ainda sejamos. Eu dizia que seria sua amiga para sempre, espero não ter mentido. Não apenas para você, mas para mim mesma. Queria poder ver o mar contigo e falar dos peixes e dos barcos. Lembra? Nós fingíamos que sua cama era um barco e então, íamos para todos os lugares da Terra. Eu e você - amigos. Será que você ainda pensa - lembra - dessas coisas todas? Acho que sim, você era um menino legal.
["AAH! Um tubarão!" e "Nade! Nade! Ligue os motores do barco! Ele vai nos pegar! AAAAH!" ou então: "Titio!" e "Não sou titio!" ou "Você viu a cara do Itachi?!" e "Eu gosto do Kisame, já disse!" - Sinto saudades de ser sua amiga.]
Eu ainda sei onde é aquele seu prédio vermelho, perto da minha escola. Ainda penso em você quando vejo a praia de noite: Não foi lá que nós levamos seu cachorro para passear e depois comemos milho? Mesmo eu detestando milho? Caramba, às vezes tenho vontade de te ligar, Ian. Mas o que eu iria dizer? O quê? Quando foi a última vez em que nos falamos? Ano passado? Retrasado? Por telefone? Por uns minutos? Não há mais tempo, titio. Acho que nós dois sabemos.
["Meu chinelo vai cair! Vai cair!" e "Não dá para deixar cair agora, estamos em um teleférico!" e "Ai, meu Deus, aquilo lá é uma cobra?!" e "É claro que não, é um cipó!"]
É, você era o melhor amigo do mundo todo. Estou com uma sensação estranha, não sei se você entenderia. Talvez sim, talvez não. É algo entre uma vontade desgraçada de chorar e uma vontade imensa de sorrir. Eu disse, Ian, que lembrava de tudo.
["Clube dos Macacos? Tem macacos lá?" e "Claro que não, deve ser só o nome." e "Então vamos ficar olhando para as árvores!" e "Oba! Piscina!"]
Eu juro por todas as conchinhas do mar, pelo seu golfinho de pelúcia que não vou esquecer. De nada. Porque, você sabe, eu te adoro. Não importa a distância. Nem o tempo. Nem mais nada.
["Me diz uma palavra que comece com 'c' e termine com 'u'!" e "Eeeer...." e "Sua pevertida! Céu!"]
Eu lembro de todas as nossas aventuras. Mais do que isso: eu lembro de você.
Pelos velhos tempos, titio,
A.
PS: Obrigada por tudo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dear diary, you'll never believe what happened to me today!


Querido diário,
Ele me olhou nos olhos, sabe? E meu coração fez um som engraçado, como se estivesse cantando. Acho que nunca fiquei com tanta vergonha quanto naquela hora, o sangue foi direto para o meu rosto. Aposto que ele sabe a verdade. Quero dizer, que eu gosto...Tá, que eu adoro ele. Porque meu coração bateu tão alto que todo o mundo deve ter ouvido, isso tudo só porque os olhos dele ficaram grudadinhos nos meus. E, poxa, eu não sabia que o tempo podia passar mais devagar. Foi bom.
Querido diário,
Ele abraçou uma menina hoje. Ele sempre faz isso. Abraça todas as meninas e sempre, sempre me ignora. Acho que o irrito. Lembra do meu coração palpitando? Tá doendo. Meus olhos ardem e eu sinto ciúmes do que nem é meu. Será que eu estou ficando doente? Eu pedi um abraço e por um momentinho só os dedos dele correram pelas minhas costas. Ele perguntou porque eu estava triste, mesmo não acreditando.
[Como poderia? Eu sempre fico sorrindo quando estou abraçada a ele!]
Eu menti qualquer coisa. Ele franziu o rosto como se me achasse louca. E foi isso.
Meu coração fica batendo fraquinho, fraquinho. Acho que odeio cada uma daquelas outras garotas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

I don't have to explain


Não que eu acredite (muito) no Cupido, mas costumo achar que ele é um desgraçado muito do sádico, sabe? Se não for, precisa de óculos. Porque é cada um que me aparece que chega a dar vontade de sentar e chorar um rio ou dois. Juro que se eu pudesse, me apaixonava por aquele cara lá, aquele que vale a pena. Aquele que gosta de mim. Então, coração, sossega quando for olhar para o outro. Sossega e finge que não viu. É mais fácil.
[Quem disse que o Cupido deixa?]

30 Letters - Your Crush

D.G.F.C.S (popularmente conhecido como T.S.H),
Não era para ter sido você, entende? Porém mesmo assim, mais de uma vez pego-me imaginando nossos dedos entrelaçados e The Calling tocando ao fundo, como naqueles filmes com os quais costumo implicar. Passo minutos olhando para o nada, a cabeça em um mundo onde o amor é justo e você me ama de volta. Não há dia em que não lembre daquelas falsas esperanças - talvez eu ainda acredite nelas e não há olhar seu que me faça...Sabe? Esquecer você.
A verdade é que eu gosto de você. Gosto bastante, mas ainda não o amo, ainda bem. Já amei, sabe? Não me fez bem. Amar não é tão legal quando não se é amado de volta e, céus, você não sabe o quanto eu tenho medo de acabar amando você um dia! Seria cruel demais. Seria mais cruel do que ver seu sorriso todas as manhãs para as outras pessoas, seria mais cruel que saber - e ter a certeza - de que nos afastamos, mesmo nunca tendo sido muito chegados. Seria muito, muito mais cruel do que ficar lembrando do quanto você era bonzinho comigo e passou a ser...Bom, indiferente.
Lembra? Teve uma vez em que nós dançamos. Não que tenha sido uma dança, lembro-me apenas de ter sido empurrada para cima de você, dos nossos dedos entrelaçados, da minha cabeça encostada no seu peito - ou barriga, você é bem mais alto que eu, de quando você se abaixava para eu poder beijar sua bochecha, de quando você sorria para mim, de quando você bagunçava meu cabelo, de quando você não se importava de eu ser sua stalker.
Agora tudo meio que parece diferente e de meio amigo do qual eu gostava, você se tornou aquele cara com o qual nunca terei uma chance. Não que houvesse qualquer chance antes, mas há alguns meses eu pelo menos podia acreditar.
Ás vezes penso que você já sabe e que por isso se afastou. Aí novamente o coração bate mais forte e me forço a acreditar que você não quer me magoar. Paixão não correspondida dói no fundo do peito, sei disso muito bem. Então talvez eu seja uma masoquista, não é? Então talvez um dia eu me machuque tanto que fuja de tudo e de todos, talvez um dia eu aprenda a lição. Não que a culpa seja sua, é minha e tão somente minha por só gostar daqueles caras bonzinhos demais para gostar de garotas como eu. Para se apaixonarem por irmãs mais novas.
Então, eu não te odeio. Claro que não. Mas também não te amo, claro. Por isso não faça isso comigo, não me faça amar você. É só que...Não era para ser. E eu deveria ter entendido isso de início. Mesmo assim, obrigada por ter me dado algo em que acreditar.
Da garota que gosta de você,
A.
PS: Tenho que parar de acreditar em contos de fadas.

sábado, 3 de julho de 2010

Look, dear, for the sky.

Você já parou para olhar o céu? Aliás, mais do que isso, você gosta de azul? Eu adoro azul, não é - ainda - minha cor preferida, embora um dia já tenha sido. Estou sempre mudando, na verdade. Sabe quantas cores favotitas, amadas, idolatradas, eu já tive? Nossa, incontáveis. Mas, o azul, que não deveria ser nada mais que a cor do céu, sempre - e quando eu falo sempre, é sempre mesmo! - esteve ali. Quero dizer, mesmo não estando em primeiro lugar, esteve sempre na lista. Sei lá, azul é meio mágico, né, não? Deve ser porque é a cor do céu, meio divino e mesmo sendo azul a cor que deveria me trazer o mínimo de paz interior, só consigo...Bom, gritar e pular e ter ataques. Porque, cara, é azul. E azul é azul e portanto, é azul e que se dane se eu não estou fazendo o menor sentido. Espera um dia bonito...Quero dizer, não um dia bonito, porque isso, todos os dias são. Espera dar um dia especial, sem nuvens no céu. [Branco é legal, mas engorda.]
E aí, sei lá, se pendura na janela, fica parado no meio da rua, mas olha para o céu. Só faz isso. E aí você vai entender do que estou falando, dessa mágica meio bizarra. Aliás, olha o céu e faz um esforço para entender o porquê de eu gostar tanto, tanto, tanto de azul. Mesmo que, bom, o azul não deve ser muito meu fã. Ninguém é fã de uma fã, ainda mais uma fã histérica. Mas quem se importa? Estou te dizendo. É azul. E é o que importa, afinal.

[Acho que nunca, nunquinha mesmo, escrevi um texto com tanta mensagem subliminar. Sério. Só achei que ia ficar mais legal se fosse para ler nas entrelinhas. Na verdade, a ideia veio de um comentário dele, sabe? 'Dele', quem? Ah, é. Do Azul, oras!
PS: Lembra da dica para olhar o céu? Era uma mensagem subliminar, mas leva ela a sério. Um dia, só pare para olhar o céu. É legal.
PS²: Agora, outra dica da tia. Se você gosta de fanfics, corre para o Fanfiction.net e digita 'Aoi Koufuku'. Só uma dica de uma fã.]

quinta-feira, 17 de junho de 2010

He could be the one


Uma das mãos dele em minha cintura...
A minha respiração acelerada...
O sol iluminando o sorriso dele...
Meus olhos muito bem fechados...
Ele se aproxima...
Eu fico vermelha...
Nossos dedos se entrelam devagar...
Ele vai me beijar.
Ele vai me beijar.
Ele vai me beijar.
Eu vou beijá-lo.
Eu vou beijá-lo.
Eu vou beijá-lo.
Eu definitivamente vou beijá-lo.
Ele se abaixa...
Nossas repirações, tão próximas...
Quase lá...!
Os nossos lábios se roçando...
[...]
Então, eu acordo. Tudo não passou de um sonho.
Desligo o celular, levanto, vou para o banheiro.
Estou vermelha, vejo no espelho.
E estou feliz.
Estou apaixonada.

sábado, 12 de junho de 2010

Happy Valetine's day, silly girl.

E estou aqui, olhando meu celular sem bateria, ouvindo Linkin Park no último volume, sentindo-me ridícula em meu pijama velho e com o casaco da minha melhor amiga, o cabelo de qualquer jeito, o rosto tal e qual o de um trasgo, esperando tolamente que ele me ligue. Sendo que ele não tem meu telefone. Sendo que ele agora está distante. Sendo que ele não deve estar pensando em mim como estou pensando nele, fielmente como aquelas esposas bananas de séculos atrás.
Cacete, eu nunca, nunquinha me importei com o dia dos namorados. É, que seja, eu me sentia muito mal quando via aqueles casais bizarros que andam como se fossem uma pessoa só na rua, mas superava numa boa, sem cicatrizes, sem traumas. Até me apaixonar, aí, né...Fudeu com tudo.
Porra, seu cupido filho duma puta mal amada. [Desculpe, Afrodite. Mas você é uma cachorra e aquela paixão toda dos homens por você era puro tesão.] Custava me fazer amar quem me ama? Custava? Custava atirar essa sua flecha de merda nele também? Valeu, só para saber.
Aí eu fico aqui, pensando em como seria se eu não estivesse passando o Dia dos Namorados sozinha, com aquele cara lá, aquele que eu gosto, sabe? Se ele não tivesse feito a merda toda de não me amar. Aquele pateta, desgraçado, tão absurdamente...Argh. [E eu falo isso tudo com todos os nossos momentos passando pela minha cabeça. Ao som de Linkin Park. DE LINKIN PARK!]
Pelo menos eu posso fingir que não ligo e correr para a escuridão segura do meu quarto, imaginando que ele está realmente pensando em mim. Só por uns instantes. E então, me esforçar para não cometer aquele ato de loucura. Chorar por homem. O que é uma merda bem difícil de não se cometer. [Cacete, eu amo ele. Olha só a merda em que você me meteu, Eros!]
E eu estou aqui, na pior das aparências, querendo que ele apareça por milagre na minha porta, se ajoelhe e diga que me ama. Nem precisa ter nada nas mãos, me basta um sorriso verdadeiro.
[Hahaha, acorda para a vida, garota, você não está no País das Maravilhas.]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

À première vue

Estava indo para casa depois de um tipo de simulador de vestibular, exausta e indignada por ter feito quatro provas seguidas da mesma matéria em apenas três tempos de aula. Uma delícia, em outras palavras. Olho para frente e o vejo, um cara bonito, pele morena, olhos escuros, cabelos mais escuros ainda. Pintado de verde, usando um short ferrado, segurando um copinho de plástico daqueles que eu rasgava psicoticamente quando criança. Sorrindo para mim, aqueles sorrisos enormes que chegavam aos olhos e ficavam por lá.
"Oi." - Ele me para. - "Tem algum dinheiro aí? É para o trote da faculdade, juro que não vou gastar com drogas."
"Hm, não." - Eu rio tímida, olhando para o chão.
"Poxa, você vai passar por isso, sabia?!"
"É, eu sei, mas...Ah, deixa eu ver aqui. Diz aí, você passou em quê?" - Puxo assunto, tentando me achar com todos os bolsos da minha mochila. Sempre pergunto isso para os caras do trote da faculdade, fico esperando que um futuro jornalista apareça e me diga como é.
"Engenharia de produção."
"Eca. Detesto matemática, nem fala comigo." - Faço graça e ele ri. O sorriso dele era bonito demais, sincero demais e ele não tirava os olhos dos meus. Não era estranho, gosto de quem fala olhando nos olhos, mas...Sei lá, o olhar dele era meio...Brilhante demais.
"Por quê?"
"Sei lá, não gosto, ué. Vou ficar no meu jornalismo mesmo."
"O quê?! Você não vai fazer engenharia de produção?!"
"Hã, não acabei de dizer que detesto matemática?"
"Não importa, não tem garotas bonitas como você por lá. Faça engenharia de produção, beleza?"
"Oi?"
"Sério, faz engenharia de produção!" - Ele quase implora. Eu o olho assustada, só me faltava ele se jogar aos meus pés e chorar. Me afasto um pouco, segurando a vontade de rir. Ou de sair correndo.
"Por quê?"
"Porque quando você entrar, vamos nos encontrar, nos conhecer melhor e aí eu vou poder te pedir em namoro!"
"Hã...?!" - Tá, dessa vez eu rio alto. O cara era pirado. Completamente pirado.
"Faz isso por mim, nós vamos ter um futuro juntos, cara."
"Ah, olha. Tenho 50 centavos. Serve, né?" - Sorrio, não dava para olhar nos olhos deles. Eram sinceros demais, achei que ele fosse se ajoelhar e me pedir em casamento ali mesmo. Ou coisa pior. Então coloco a moeda no copinho dele e vou me afastando, acho que minhas bochechas estavam tão vermelhas quanto um tomate. Por mais que isso seja clichê.
"Tá beleza, mas isso não muda nada. Eu vou achar você na faculdade, heim?" - Ele ri, mas não soa ameaçador. Eu o ignoro e vou andando, pensando no quanto tem gente doida e apaixonada nesse mundo. E em como eu sempre atraio gente estranha. Olho para trás, ele pisca para mim e sai andando, com aquele jeito meio malandro, meio alegre. Bem brasileiro.
Não nego que ele mexeu comigo, acho que ele não estava de brincadeira não.


(E isso aconteceu mesmo. Foi...Surreal.)
Agora a frase da Nanne faz todo o sentido. E isso me assusta:
"Você procura por mim e eu procuro por você. Uma hora a gente se encontra."