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domingo, 26 de setembro de 2010

I'm not afraid to love

Eu já concordava com o Bob Esponja em várias coisas: Imaginação resolve tudo, brincar com os amigos é incrivelmente divertido, fazer bolha de sabão é mágico, hambúrguer está entre as melhores coisas do mundo, seu animalzinho de estimação é parte da sua família. Só que... essa frase, uau, Bob, você se superou. Como eu podia não gostar de você quando era criança? Se bem que eu era tão problemática, né? Não faz mal, hoje eu adoro você, Bob. Sério. Você tem razão: Amar é confiar, não é? O Cupido bem disse que não há amor sem confiança. Ele disse.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Who's that girl?

Por favor, vamos parar com isso. Venha. Deite aqui e respire fundo agora. Está mais calma? Por que está tremendo? É frio? É choro? É medo? Não faça isso. Vamos. Abra esses seus olhos. Respire de novo. Não chore, por favor. Cadê aquele seu sorriso? Que fez com ele? Não, não, não. Isso não é desculpa. Essa não é você. Quer um abraço? Quer, não quer? Você gosta de abraços. Parou de chorar? Parou de tremer? Isso, assim está melhor, não está? Deite-se, feche os olhos. Imagine um lugar. Sim, é isso. Apenas esqueça tudo. Essa não é você. Eu te conheço. Eu sei. Dê-me um sorriso. Pode ser fraquinho, eu deixo, mas prometa-me que é de verdade. Você não gosta de mentir, não é? Sim, isso mesmo. Um sorriso! Está se sentindo melhor? Mais um abraço? E um cafuné? Que olhinhos tristes! Que expressão morta! Dê-me sua mão. Aqui, vê? Eu estou aqui. Você está aqui. Há outros e você sabe. Então, por que está fugindo? Que coisa boba. Que medo bobo. Como você é boba. Vamos, quero você como era antigamente. Sinto sua falta. Todos sentem. Claro que sentem! Como não poderiam? Vê? Eles estão ali. Estão olhando por você. Sorria para eles. Acene! Faça isso direito! Bom. Agora, que tal lavar esse rosto? Arrumar essa carinha? Ser aquela de antes? Aquela... você sabe! Você faz falta. E agora, você sabe, não sabe? Claro que sabe. No fundo, você sempre soube. Afinal, eu te contava, não contava? Quando você vinha chorar no meu colo. Acredite, você não está sozinha. Nós estamos aqui. Todos estão. Não tenha medo.
Então, está mais calma?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

30 Letters - Your ex-boyfriend or S[he] be[lie]ve[d].

Sabe-Tudo-Do-Espaço,

A primeira vez que te vi, quando você chegou na escola - um simples aluno novo, daqueles com rostinho tímido, pensei: "Como ele é bonitinho!" ou "Que gracinha!", você era o tipo de cara de quem eu precisava. Quero dizer, um amigo de verdade. Então, ótimo, nos tornamos amigos. E foi aí que eu comecei a te chamar de Sabe-Tudo-Do-Espaço. Porque você amava astronomia e me ensinava tudo. Tudinho. Estrelas? Planetas? Cometas? Galáxias? Você sabia e, uau, eu te admirava muito por saber todas aquelas coisas, mas mais ainda por ter paciência para me ensinar.
Então, chegou o dia em que me apaixonei por você. Um drama. Como eu te contaria isso? Quero dizer, eu te contava tudo, não é? Éramos bons amigos. Grandes amigos, até. Amigos que falavam sobre as estrelas, os planetas, as constelações. Amigos que discutiam video games, que riam por tudo, amigos destinados a se odiarem, por falar nisso. Eu estava desesperada por estar apaixonada, até aquele intervalo:
Você me chamou em um canto, olhou para seus tênis sujos, sorriu sem graça e eu lá, babando quietinha. Você me pediu em namoro. Uau! Uau! Uau! Como a A. conseguiu isso? Finalmente um amor retribuído! Mais: Finalmente um namorado! Óbviamente eu aceitei e então passamos o recreio inteiro tentando bater em um garoto, o Alef - menino baixinho, bem diferente de você, porque ele havia ouvido nossa conversa e queria contar para todo mundo.
Caramba, Sabe-Tudo-Do-Espaço, você quebrou o meu coração, sabia? Bastante. Mas isso já não importa, passou. Passou. Passou. E eu já não ligo. Nem para você, nem para o que fez. Eu aprendi a esquecer o passado, da mesma forma que aprendi como nascem as estrelas.
Porém, você não sabe como doeu saber a verdade, garoto. Como eu chorei a saber que fui usada. Ainda mais para fazer ciúme. Caramba. Só... caramba. Eu gostava mesmo de você, achei que fossemos amigos, mas... era só isso, não é? Eu ainda era a mesma de antes, chata, sem amigos, sozinha, sozinha, sozinha. Por sua culpa, eu voltei a chorar de noite, sabe? Pelo menos, alguém se deu bem nessa história, não é? Ela ficou louca de ciúmes. Você a teve e eu... bom, eu fiquei com as lembranças. Ou melhor: com as ilusões.
Mas quem se importa? Passou. Doeu. Chorei. Gritei. Fiquei sozinha. E você com ela. Típico. Óbvio. Realista. Como eu não fui percerber? Acho que andei demais com a cabeça nas estrelas. Acho que... na verdade, não acho nada. Foi bom para eu aprender. Aprendi a suportar um pouco mais. Então talvez, eu te deva um obrigada. Um simples obrigada. Não por isso, claro, mas por me fazer gostar de astronomia. Fiz amizades verdadeiras por causa disso. E você? Bom, ela terminou contigo, né? E depois, ah, quem se importa?
Você sumiu.
Ainda bem.
Ainda... bem.

Sem [muitos] resentimentos,
A.

PS: Eu dei a volta por cima, sabe? E você?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dear diary, you'll never believe what happened to me today!


Querido diário,
Ele me olhou nos olhos, sabe? E meu coração fez um som engraçado, como se estivesse cantando. Acho que nunca fiquei com tanta vergonha quanto naquela hora, o sangue foi direto para o meu rosto. Aposto que ele sabe a verdade. Quero dizer, que eu gosto...Tá, que eu adoro ele. Porque meu coração bateu tão alto que todo o mundo deve ter ouvido, isso tudo só porque os olhos dele ficaram grudadinhos nos meus. E, poxa, eu não sabia que o tempo podia passar mais devagar. Foi bom.
Querido diário,
Ele abraçou uma menina hoje. Ele sempre faz isso. Abraça todas as meninas e sempre, sempre me ignora. Acho que o irrito. Lembra do meu coração palpitando? Tá doendo. Meus olhos ardem e eu sinto ciúmes do que nem é meu. Será que eu estou ficando doente? Eu pedi um abraço e por um momentinho só os dedos dele correram pelas minhas costas. Ele perguntou porque eu estava triste, mesmo não acreditando.
[Como poderia? Eu sempre fico sorrindo quando estou abraçada a ele!]
Eu menti qualquer coisa. Ele franziu o rosto como se me achasse louca. E foi isso.
Meu coração fica batendo fraquinho, fraquinho. Acho que odeio cada uma daquelas outras garotas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

I don't have to explain


Não que eu acredite (muito) no Cupido, mas costumo achar que ele é um desgraçado muito do sádico, sabe? Se não for, precisa de óculos. Porque é cada um que me aparece que chega a dar vontade de sentar e chorar um rio ou dois. Juro que se eu pudesse, me apaixonava por aquele cara lá, aquele que vale a pena. Aquele que gosta de mim. Então, coração, sossega quando for olhar para o outro. Sossega e finge que não viu. É mais fácil.
[Quem disse que o Cupido deixa?]

30 Letters - Your Crush

D.G.F.C.S (popularmente conhecido como T.S.H),
Não era para ter sido você, entende? Porém mesmo assim, mais de uma vez pego-me imaginando nossos dedos entrelaçados e The Calling tocando ao fundo, como naqueles filmes com os quais costumo implicar. Passo minutos olhando para o nada, a cabeça em um mundo onde o amor é justo e você me ama de volta. Não há dia em que não lembre daquelas falsas esperanças - talvez eu ainda acredite nelas e não há olhar seu que me faça...Sabe? Esquecer você.
A verdade é que eu gosto de você. Gosto bastante, mas ainda não o amo, ainda bem. Já amei, sabe? Não me fez bem. Amar não é tão legal quando não se é amado de volta e, céus, você não sabe o quanto eu tenho medo de acabar amando você um dia! Seria cruel demais. Seria mais cruel do que ver seu sorriso todas as manhãs para as outras pessoas, seria mais cruel que saber - e ter a certeza - de que nos afastamos, mesmo nunca tendo sido muito chegados. Seria muito, muito mais cruel do que ficar lembrando do quanto você era bonzinho comigo e passou a ser...Bom, indiferente.
Lembra? Teve uma vez em que nós dançamos. Não que tenha sido uma dança, lembro-me apenas de ter sido empurrada para cima de você, dos nossos dedos entrelaçados, da minha cabeça encostada no seu peito - ou barriga, você é bem mais alto que eu, de quando você se abaixava para eu poder beijar sua bochecha, de quando você sorria para mim, de quando você bagunçava meu cabelo, de quando você não se importava de eu ser sua stalker.
Agora tudo meio que parece diferente e de meio amigo do qual eu gostava, você se tornou aquele cara com o qual nunca terei uma chance. Não que houvesse qualquer chance antes, mas há alguns meses eu pelo menos podia acreditar.
Ás vezes penso que você já sabe e que por isso se afastou. Aí novamente o coração bate mais forte e me forço a acreditar que você não quer me magoar. Paixão não correspondida dói no fundo do peito, sei disso muito bem. Então talvez eu seja uma masoquista, não é? Então talvez um dia eu me machuque tanto que fuja de tudo e de todos, talvez um dia eu aprenda a lição. Não que a culpa seja sua, é minha e tão somente minha por só gostar daqueles caras bonzinhos demais para gostar de garotas como eu. Para se apaixonarem por irmãs mais novas.
Então, eu não te odeio. Claro que não. Mas também não te amo, claro. Por isso não faça isso comigo, não me faça amar você. É só que...Não era para ser. E eu deveria ter entendido isso de início. Mesmo assim, obrigada por ter me dado algo em que acreditar.
Da garota que gosta de você,
A.
PS: Tenho que parar de acreditar em contos de fadas.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

About the art of writing

Ela abre aquele Word antigo e fica olhando a página por segundos que são eras e eras e eras, então digita com violência e ansiedade e mais uma vez castiga o teclado do computador por seus bloqueios criativos, xingando-se por não ter escrito aquela tal históira quando a ideia ainda era fresca na memória, então grita com Deus e o diabo em pensamentos e corre para pegar um livro em seu quarto, um livro da prateleira - porque aqueles livros são os seus preferidos, cujos os autores ela admira tanto que poderia beijar-lhe os pés milhares e milhares de vezes.
Volta para o escritório e estreita os olhos para a tela do computador, as páginas do Word com poucas frases, se não em branco. Ela abre o livro em uma página, vê o modo como o autor escreve, pensa por minutos, horas, milênios, então inspira-se para escrever - não para ela! Mas para os livros, é claro! E escreve e apaga e escreve mais uma vez e apaga tudo de novo. Mas continua escrevendo, por mais que odeie cada letra.
~*~
Definitivamente, não gosto do que escrevo. Na realidade, detesto e talvez eu odeie ainda mais o Word por me encantar com aquela página em branco e ao mesmo tempo sugar todas as minhas ideias para escrever. Não que isso aconteça só comigo, acho que todo escritor deve entender como me sinto. Não que eu seja escritora. Ainda, é claro. Porém sinto-me tão infantilmente bem que quero fazer da escrita, minha vida, meu trabalho. - Infelizmente apenas nas horas vagas, autores desconhecidos e escritores de primeira viagem precisam de outro emprego ou morrem de fome.
Sei lá, ainda posso trabalhar em uma Editora ou ser professora de Literatura. Eu apenas preciso...Ficar perto dos livros. Porque, bom, tirando o Jack e o Cornelius, os livros foram meu primeiro amor e após anos de dúvida, sonhando acordada com meus futuros trabalhos [astronauta, desenhista, professora, modelo, veterinária, maestra, pianista, jornalista...], encontrei-me em nas letras, nas páginas, no grafite da lapiseira, nas teclas de um teclado, nas páginas [em branco] do Word.
Não que eu esteja achando que serei grande coisa, já disse que detesto o que escrevo, que acho que não tenho talento - só escrevo um pouco melhor que uns poucos porque sempre gostei de ler. Porém ensinaram-me que tenho de trabalhar com o que gosto e, bem, eu amo escrever.
Então...Por que não? Tá, existem os bloqueios criativos, existe a falta de dinheiro, de ideias, de talento, de paciência, mas ainda existe o prazer, a paixão, o vício, a vontade, a escolha, a determinação. Eu não desejo ser escritora, eu quero ser escritora. Porém, não apenas digitar umas palavras legais e entregar para uma editora famosa, quero encantar palavras e ser uma verdadeira contadora de histórias. Porque essa sou eu e é isso o que eu amo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

I'm sorry for protecting you.

"Raiza, espera." - Hermes sussurrou e sua voz era tão delicada quanto seu toque no pulso da garota e quase tão triste quanto o canto de Orfeu, tivesse ele sabido que ela nunca fora e nunca seria como as outras meninas de sua idade. Ao menos, ainda havia tempo para consertar um erro que aos olhos de um deus era tão bobo quanto seus sorrisos para ela, mas ao mesmo tempo tão grave, tão terrível aos olhos dela, que era humana. - "Por favor, não vá."
"Por quê?" - Resmungou ela, soltando-se do aperto leve e recolhendo o pulso junto ao peito. - "Vai querer me levar para casa também? Me acompanhar para todos os lugares? Ah, não, espera... - Olhou-o irritada, Hermes quase via faíscas em seus olhos escuros. - ...Você já faz isso! E quer saber, Hermes? Eu estou cansada disso tudo, de ser tratada como criança. Vá embora e nunca mais..."
Porém, Raiza nunca conseguiu completar o que ia dizer, vendo-o tão abatido e tão, tão, tão triste quanto...Bom, quanto ela. Então soltou os sapatos na grama molhada, cruzou os braços na altura do peito, respirou fundo e franziu o cenho, da mesma forma que fizera quando se conheceram. Ele piscou, desviou o olhar, abriu a boca e nada disse por segundos. Suspirou uma, duas, três vezes enquanto ela revirava os olhos.
"E então?"
"Desculpe. Sei que exagero, que a irrito e que sou ridículo com toda essa minha obsessão por acompanhá-la, mas, Raiza, tente entender que o mundo já não é como era quando eu era jovem, tudo é tão perigoso e... - Ela abriu a boca para protestar, mas o indicador dele tocou seus lábios por um segundo, silenciando-a. - E eu não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, tenho medo de perdê-la para um dos ladrões que protejo ou para Tánatos. Entende? Eu a amo."
Um minuto se passou, talvez dois. Eles não piscaram e continuaram se encarando, ecanrando, encarando sérios e tristes. Então Hermes viu algo nos olhos dela e abriu os braços no exato momento em que ela o abraçava tão forte como Héracles nunca seria.
"Pelos deuses, eu o amo!" - Disse e os dedos dele corriam por seu cabelo, sempre muito delicados quando ele deu uma risadinha satisfeita. - "E então, Hermes?"
"O quê?"
"Vai me levar para casa?"
Ele beijou sua testa.
"Sempre que desejar."

terça-feira, 29 de junho de 2010

The party just began, guys!

Era para ter sido apenas uma ida ao teatro com as meninas, era para ter sido uma noite normal entre elas, com seus vestidos até o joelho e os saltos altos que ela queria muito jogar longe. Definitivamente, camisas sociais, deuses gregos cheios de hormônios e – principalmente! – uma festa não estavam incluídos. [Ainda mais uma festa com vinho.]
Então, lembrar-se-ia de chutar Apolo e Amanda por aquelas idéias de última hora, de gritar muito com Hermes e Raiza por estarem certos quando disseram que ela nunca, nunquinha poderia subir em um ônibus tão tarde da noite e sair viva. [Ainda mais de salto alto.] E mais do que isso, ela tinha que se lembrar de odiar Dionísio por ter olhos tão cativantes e um sorriso tão lindo. [E por beijar tão bem!]
“Que seja, então, suas pragas.”

~*~

“Nanne, não é que você precise se embebedar... Longe disso, mas porquê ignorar o Dio? Ele vai cortar os pulsos daqui a pouco...”
“Para ele não me agarrar. Ele deve estar... Sei lá, mano, na décima terceira taça de vinho.” – Ela respondeu para uma Amanda que antes estava descaradamente se agarrando com Apolo, enquanto uma Raiza, em algum lugar, gritava para Hermes que uma ida ao banheiro não era viagem nenhuma, portanto, ele não precisava acompanhá-la.
“Poxa, fala lá com ele, vai? A Saki concordaria comigo!”
“Mas...”
“NANNE, VAI FALAR COM O DIO AGORA E...HERMES. SAI DAQUI.”
“Tá, né.”


~*~

Ela nem precisou beber nada, havia nos lábios dele vinho para toda uma vida e naqueles olhos, um brilho não pervertido, mas malicioso e, por Zeus, sensual. Pena, para o deus, que Fernanda ainda estivesse sóbria o suficiente - mesmo após tantos beijos - para estapeá-lo em meio a risos altos quando uma mão desceu mais do que devia.
Antes, talvez, ela ficasse com medo daquele olhar intenso, mas havia naquilo tudo, um sentimento que vinha à tona depois de alguns goles de vinho e beijos. E já não havia qualquer dúvida quando os braços dele envolviam sua cintura e a voz rouca dele lhe invadia os ouvidos:
“Eu amo você.”
[Ela o amava também, mas era muito para uma noite só e havia aquela certeza de que se o admitisse agora, acordaria no Olimpo e não haveria quem levasse aquelas outras duas para casa quando aqueles outros deuses e seus hormônios fora de hora acabassem passando dos limites.]

Nanne bêbada com beijos, comofas?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

About a god that doesn't know how to date a girl.

Tênis de corrida sujos de lama, uma mochila estampada com a bandeira do Brasil, um boné do Mário e a paciência indo para o espaço.
“Está chovendo.” – Disse o deus, que naquela hora nem era deus, era só mais um cara com quem esbarrara no ônibus Minas Gerais – Rio de Janeiro e era só mais um motivo para fazê-la gritar, chamar a polícia, querer morrer. [E aquelas duas vadias da Mandie e da Nanne nem mostravam as caras na rodoviária!]
“Jura?” – Rosnou em resposta, molhada. E não era a primeira vez que quisera mandá-lo para o inferno, aquele sujeito não parara de importuná-la desde que se sentara ao seu lado. [E lá se fora sua chance de ouvir Panic At The Disco para fazer inveja na Mandie!]
“Esse seu mau humor poderia te matar, não é bom desrespeitar um deus.”
“Para começo de conversa, o tal deus está fazendo por merecer. Desde que eu sentei no ônibus, o senhor não parou de falar um instante, foi incapaz de me deixar dormir – sendo que eu acordei muito, muito cedo! – e sequer teve a noção de notar que estava me incomodando com esse seu jeito de bom moço. Aliás, está todo mundo olhando...! Sai já daqui!”
Ele sorriu para ela. Ela sorriu sem vontade, aqueles sorrisos afetados, cheios de raiva. [Opa, alguém ali precisava dormir.] Porém ele não se abalou, nem engoliu em seco como os outros caras, nem piscou e talvez, aquela paciência toda dele fosse ainda mais irritante, por mais que ela admitisse que daria uma chance se tivesse dormido mais de dois minutos. Ele era gato. Insuportável, mas gato.
“É que eu sou o deus dos viajantes, meu bem, tenho que cuidar para que você não morra em sua primeira viagem ao Rio de Janeiro!”
“Pouco me importa, Hermes, vá ajudar os mexicanos a pular o muro da fronteira com os EUA.” – A voz um pouco mais alta que o normal. O sorriso dele imóvel. Os olhos fixos uns nos outros. Ele se aproxima e...
“SAKI! SAKIII! AQUI, AQUI!” – Gritaram duas garotas que devem ter sido amaldiçoadas por Hermes e ela, Raiza, sorriu aliviada, fugindo para elas, fugindo dele.
“Espera!”
“Que é?” – Ela nem se virou.
“Se eu esperar você dormir e esse seu mau humor passar...Posso te levar para sair?”
“Só se eu nunca mais esbarrar com você em um ônibus.”
E dos gritos dela na rodoviária e dos sorrisos dele apenas para ela, vieram encontros, beijos, brigas e um sentimento bobo, bobo, bobo. De primeira viagem.
[Aliás, quem é que não se importa com a intervenção divina de vez em quando?]

Porque agora somos tão chiques que até os deuses nos querem.

sábado, 12 de junho de 2010

Happy Valetine's day, silly girl.

E estou aqui, olhando meu celular sem bateria, ouvindo Linkin Park no último volume, sentindo-me ridícula em meu pijama velho e com o casaco da minha melhor amiga, o cabelo de qualquer jeito, o rosto tal e qual o de um trasgo, esperando tolamente que ele me ligue. Sendo que ele não tem meu telefone. Sendo que ele agora está distante. Sendo que ele não deve estar pensando em mim como estou pensando nele, fielmente como aquelas esposas bananas de séculos atrás.
Cacete, eu nunca, nunquinha me importei com o dia dos namorados. É, que seja, eu me sentia muito mal quando via aqueles casais bizarros que andam como se fossem uma pessoa só na rua, mas superava numa boa, sem cicatrizes, sem traumas. Até me apaixonar, aí, né...Fudeu com tudo.
Porra, seu cupido filho duma puta mal amada. [Desculpe, Afrodite. Mas você é uma cachorra e aquela paixão toda dos homens por você era puro tesão.] Custava me fazer amar quem me ama? Custava? Custava atirar essa sua flecha de merda nele também? Valeu, só para saber.
Aí eu fico aqui, pensando em como seria se eu não estivesse passando o Dia dos Namorados sozinha, com aquele cara lá, aquele que eu gosto, sabe? Se ele não tivesse feito a merda toda de não me amar. Aquele pateta, desgraçado, tão absurdamente...Argh. [E eu falo isso tudo com todos os nossos momentos passando pela minha cabeça. Ao som de Linkin Park. DE LINKIN PARK!]
Pelo menos eu posso fingir que não ligo e correr para a escuridão segura do meu quarto, imaginando que ele está realmente pensando em mim. Só por uns instantes. E então, me esforçar para não cometer aquele ato de loucura. Chorar por homem. O que é uma merda bem difícil de não se cometer. [Cacete, eu amo ele. Olha só a merda em que você me meteu, Eros!]
E eu estou aqui, na pior das aparências, querendo que ele apareça por milagre na minha porta, se ajoelhe e diga que me ama. Nem precisa ter nada nas mãos, me basta um sorriso verdadeiro.
[Hahaha, acorda para a vida, garota, você não está no País das Maravilhas.]

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Jealousy


Apolo fechou seus olhos, tão azuis quanto o céu e agora chuvosos, contendo talvez um choro ou um grito de dor que jamais escaparia, incomodando o peito como uma flecha dourada.
[Pertencente ao cupido.]
E com os dedos como os de um devoto amante, acariciou as folhas do loureiro que eram também os cabelos de Dafne, os lábios apertados, os olhos escondendo um sofrimento já antigo e a pele se arrepiando com os lábios de Eros próximos a seu ouvido, sussurrando veneno bem-vindo, queimando memórias como folhas caídas.
[De loureiro.]
“Nunca se perguntou o porquê do deus mais belo nunca ter um ‘felizes para sempre’, Apolo?” – Ele disse, com os braços envolvendo os ombros do deus e com os lábios quase se encostando a sua pele quente.
“Mais vezes do que posso contar, Eros.” – Uma folha caiu. – Ó, Dafne, por que choras? – E uma lágrima rolou. – “Talvez você, como deus do amor, possa me responder.”
“Oras, mas é claro que eu poderia...!” – Sorriu, inclinou-se para frente, olhou no fundo os olhos de Apolo, que era como uma luz fosca ou uma chama lutando para continuar acesa. – “Seria um prazer aliviar esse seu sofrimento, sabe? Com umas respostas.”
[E com meu corpo.]
“Diga-me, então, Eros. Por quê? Por que todo esse sofrimento? Não era o amor o sentimento mais belo?”
“Porque, obviamente, eu já estou há muito apaixonado por você. E seria muita falta de amor próprio deixar que você seja amado por outro que não eu, não?” – E o beijou, beijou como Dafne o beijaria se o amasse, beijou como beijariam Cassandra, Jacinto, Ciparisso, Quione, Corônis, Marpessa, Cirene, Dríope, Urânia, Manto, Tália e Hécuba, se tivesse permitido que todos tivessem tido um final feliz.
[Com amor de verdade.]
Porque eram todos como Hera, todos os deuses muito ciumentos e muitos frios tratando-se de conseguir o que se queriam e agora, Eros conseguira os lábios de Apolo, não para um felizes para sempre, mas se Ananke permitisse, pelo menos para sempre.
[Ou não.]


-

(
Nota da Saki: É MINHA, OK? *apanha*)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"If I can wish for one thing..."


Aquele dia tonou-se nublado e não havia sol em qualquer lugar, aos poucos, das nuvens caiu a mais triste das chuvas, um pranto dos deuses pela morte de um e pela dor de outro.
E Apolo sujou-se de sangue quando chorou abraçado ao corpo de Jacinto, porque nada do que fazia trazia a vida de volta aos olhos dele e a sua pele rósea era fria e cinza de encontro ao seu corpo trêmulo.
Talvez agora ele, que sempre fora imortal, soubesse o que era morrer, pois algo dentro de seu peito havia quebrado e seus cacos o faziam sangrar, mal podia respirar, sem forças para culpar o vento Zéfiro e sem querer aceitar, chorava cada vez mais, afogando a terra em dor e saudades do que não se pode ter por tempo suficiente.
Então deitou-se sobre seu menino e beijou-lhe os lábios pálidos, gélidos e mortos com culpa, detestando aquele sabor de morte. E do sangue de Jacinto e das lágrimas de Apolo, brotaram flores que lamentavam. E pelos gritos do deus, parecia aos mortais que agora todos os dias seriam noites de eclipse, sempre sofridas e sempre sem música. Porque sua própria eternidade assim seria, marcada como eram as pétalas de Jacinto.

[Créditos para Hiei-and-shino pelo final, porque ela é foda e minha diva.]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

À première vue

Estava indo para casa depois de um tipo de simulador de vestibular, exausta e indignada por ter feito quatro provas seguidas da mesma matéria em apenas três tempos de aula. Uma delícia, em outras palavras. Olho para frente e o vejo, um cara bonito, pele morena, olhos escuros, cabelos mais escuros ainda. Pintado de verde, usando um short ferrado, segurando um copinho de plástico daqueles que eu rasgava psicoticamente quando criança. Sorrindo para mim, aqueles sorrisos enormes que chegavam aos olhos e ficavam por lá.
"Oi." - Ele me para. - "Tem algum dinheiro aí? É para o trote da faculdade, juro que não vou gastar com drogas."
"Hm, não." - Eu rio tímida, olhando para o chão.
"Poxa, você vai passar por isso, sabia?!"
"É, eu sei, mas...Ah, deixa eu ver aqui. Diz aí, você passou em quê?" - Puxo assunto, tentando me achar com todos os bolsos da minha mochila. Sempre pergunto isso para os caras do trote da faculdade, fico esperando que um futuro jornalista apareça e me diga como é.
"Engenharia de produção."
"Eca. Detesto matemática, nem fala comigo." - Faço graça e ele ri. O sorriso dele era bonito demais, sincero demais e ele não tirava os olhos dos meus. Não era estranho, gosto de quem fala olhando nos olhos, mas...Sei lá, o olhar dele era meio...Brilhante demais.
"Por quê?"
"Sei lá, não gosto, ué. Vou ficar no meu jornalismo mesmo."
"O quê?! Você não vai fazer engenharia de produção?!"
"Hã, não acabei de dizer que detesto matemática?"
"Não importa, não tem garotas bonitas como você por lá. Faça engenharia de produção, beleza?"
"Oi?"
"Sério, faz engenharia de produção!" - Ele quase implora. Eu o olho assustada, só me faltava ele se jogar aos meus pés e chorar. Me afasto um pouco, segurando a vontade de rir. Ou de sair correndo.
"Por quê?"
"Porque quando você entrar, vamos nos encontrar, nos conhecer melhor e aí eu vou poder te pedir em namoro!"
"Hã...?!" - Tá, dessa vez eu rio alto. O cara era pirado. Completamente pirado.
"Faz isso por mim, nós vamos ter um futuro juntos, cara."
"Ah, olha. Tenho 50 centavos. Serve, né?" - Sorrio, não dava para olhar nos olhos deles. Eram sinceros demais, achei que ele fosse se ajoelhar e me pedir em casamento ali mesmo. Ou coisa pior. Então coloco a moeda no copinho dele e vou me afastando, acho que minhas bochechas estavam tão vermelhas quanto um tomate. Por mais que isso seja clichê.
"Tá beleza, mas isso não muda nada. Eu vou achar você na faculdade, heim?" - Ele ri, mas não soa ameaçador. Eu o ignoro e vou andando, pensando no quanto tem gente doida e apaixonada nesse mundo. E em como eu sempre atraio gente estranha. Olho para trás, ele pisca para mim e sai andando, com aquele jeito meio malandro, meio alegre. Bem brasileiro.
Não nego que ele mexeu comigo, acho que ele não estava de brincadeira não.


(E isso aconteceu mesmo. Foi...Surreal.)
Agora a frase da Nanne faz todo o sentido. E isso me assusta:
"Você procura por mim e eu procuro por você. Uma hora a gente se encontra."

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Habitude et dialogue [3]

"Sai daí! Agora!" - Ele esmurra a porta, a voz claramente irritada. - "Abre essa porta, Sonnenwende!"
"Não!" - Ela grita de volta, mais irritada ainda. Ele respira fundo, fala algum palavrão em alemão, fecha os olhos e soca a porta. Ela nem se abala.
"Então me deixa entrar."
"Está louco?! Você não vai tomar banho comigo, se está apertado, usa o outro banheiro."
"Por que não admite que está fugindo de mim?" - Sussurra e encosta a testa na porta. Ele nunca achou que doía tanto ser ignorado por ela, que sentiria tanta a falta, que seria evitado tão perfeitamente por dias. Era verdade que ela demorava no banho, mas nunca trancara a porta. Não para ele.
"Sonnenwende..." - Ele diz um pouco mais alto, as mãos espalmadas na porta - maldita fosse por separá-los! - e a voz sofrida. - "Eu amo você."
Lá dentro, ela finge não ouvir, chorando baixinho.

Habitude et dialogue [2]

"Você não vai parar de ler?" - Ele resmunga, sentado do lado dela, na grama. Não que fosse um safado, mas quando ela o chamara para irem ao parque, imaginou que faria outra coisa além de observá-la ler. - "Nem por um minuto?"
"É meu livro preferido, Lud. Você sabe disso, daqui à pouco eu falo com você. Já, já acabo." - Ela nem se deu ao trabalho de olhá-lo, ele nunca se imaginou com ciúmes de livros. Até um momento atrás, ele gostava deles.
"Princesa?" - Ele sussurra.
"Quê?" - Ela o olha. - "O que você tanto quer que não possa esperar?"
"Olhar nos seus olhos." - E ela sorri. Talvez o livro pudesse esperar um pouco.

Habitude et dialogue [1]

"Nanne?" - Ela grita de susto e se vira, os cabelos caindo nos olhos escuros, a boca escancarada. Ele finge não notar, os olhos brilhantes grudados nos dela. - "Você nunca me contou que dançava no quarto, aru."
"S-Sério, por que você não bateu?!" - Ela gagueja e desvia o olhar, o rosto ardendo. Ele sorri como sempre, mas daquela vez o sorriso era só dela.
"Eu bati, aru, mas você sempre ouve música aos berros." - Ele se aproxima e tira o celular da mão dela. - "Sabia que você fica muito sensual quando dança?" - Ela levanta a sobrancelha, a mensagem é clara. Chama-o de louco, mesmo que se rendendo àquele sorriso. - "E que eu te acho muito bonita quando fica vermelha, aru?"
"Yao, você...." - Ela teria dito que ele tem problemas, mas foi beijada. Como sempre.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Danke!

Ei, sua bobinha, obrigada pelo tapa na cara, só Deus sabe onde eu acabaria indo sem ele. Obrigada por ser humana o suficiente para ser realista e se preocupar, obrigada por ser amiga o suficiente para colocar meus pés no chão antes que o mundo me faça cair, obrigada por ser franca e não esconder nada, por saber se expor sem ferir ninguém, por me ajudar a curar minhas feridas quando eu tento escondê-las de todo mundo. Obrigada por me conhecer tão bem em tão pouco tempo, por entender como me sinto em relação à tudo quando eu mesma me sinto confusa, pelos abraços e risadas, pelos choques de realidade, pelas broncas, pelos surtos criativos, pelas conversas, pelas novas amigas e pelas velhas também. Obrigada por ter ficado do meu lado, por não ter me mimado, por não ter sido cruel sem motivo, por ter me defendido, pelas verdades, por Hetalia, pelos RPs, pelo nacionalismo, pelo drama e pela comédia. Obrigada por ser minha irmã quando acreditei não ter mais ninguém. ♥

EU AMO VOCÊ, IMOOTO.

(Se a S. Miyazawa é minha Fada Madrinha, não há dúvidas de que você é meu anjo da guarda.)

sábado, 27 de março de 2010

Sie


"Olha, Yao, se eu colocar a mão assim..." - Ela sorriu meio tímida diante daquela imensidão laranja que era o pôr-do-sol, as mãos se fechando no ar, como que segurando algo tão frágil quanto as flores silvestres sob os pés descalços deles. Yao quase não entendia o que ela falava, concentrado como estava no movimento do cabelo dela quando o vento os envolvia. - "Parece que estou tocando o sol. Sei lá, isso não parece meio mágico?"
"Por que isso, aru?" - Ele se levantou, batendo a terra da calça e caminhou até ela, com aquela calma quase perfeita, um sorriso tão doce nos lábios que tantas vezes beijaram os dela. Segurou seu pulso com delicadeza, olhando-a bem lá no fundo dos olhos. - "O sol está bem aqui."
E ambos sorriram com os dedos entrelaçados com força, porque para ele, não havia outro astro mais brilhante que aquela garota ali ao seu lado.

.x.


"QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?" - Gritou, esperneou e quase morreu quando ela o mandou calar a boca com um olhar. Os olhos esbugalhados grudados nos dela, tão escuros em contraste com os seus. (Quando estava sozinho, pensava que os dela eram infinitamente mais bonitos por sua simples escuridão. Quando ela estava feliz, ele via todas as cores do arco-íris naqueles olhos.) - "O M-MEU CARRO...!"
"Só dei um jeitinho nele, Lud, estava parecendo caminhão de funerária."
"Você pintou um arco-íris...No meu carro?" - Engoliu em seco, incrédulo, mas incapaz de não pensar no quanto ela ficava linda com aquela camiseta toda suja de tinta. Ela sorriu, quase tão brilhante quanto ouro ou pó de fada. (Mesmo que ambos preferissem duendes.) - "Por quê?"
"Porque arco-íris são lindos, oras. Que nem você." - Ela balançou o pincel em um gesto de descaso e gotas azuis de tinta caíram sobre o carro. (Como chuva.)
E ele suspirou, conformado, fitando aquele arco-íris na pintura do seu carro. Pelo menos, agora toda vez que andasse de carro, lembraria dos olhos dela. (Não que ele precisasse ser forçado a isso.)


.x.


"Volta para mim, mulher maluca!" - Os moradores daquela rua olham aquele albino aos berros em plena madrugada, de joelhos diante de uma baixinha com cara de sono e choro.
"Por que?" - Ela sussurra entre os dentes, morrendo de vergonha, ignorando o buquê de rosas que ele lhe estende.
"Porque eu sou incrível demais para levar um fora." - Ele sorri, os olhos brilhantes e as mãos segurando os tornozelos dela. Com força desnecessária, até parece que ela vai fugir pela rua vestida de pijama. Ela lhe dá um tapa e grita qualquer coisa sobre ele ser um banana ou um cara de mamão. Ele a puxa para o chão e encosta sua testa na dela, aquele sorriso sacana ainda maior.
"E porque o que eu sinto por você é ainda mais incrível para poder ser simplesmente ignorado."

.x.

Só porque virou modinha e porque elas merecem tudo isso e muito mais. Já que elas são...Sei lá, notaram que praticamente viramos aquele super trio à lá filme? Como Harry Potter, Um Jeans Viajante e etc? Não? Surto meu? Sabia. Sabe? É que eu realmente considero elas como amigas e não como simples autoras que leram as minhas fanfics. Eu amo vocês, caramba. A Polônia não existe sem as Lituânias.
Nota: 'Sie' pode ser traduzido como 'elas' ou 'ela'.
[Nota da Saki/Nanne: E as Lituânias nem pensam em existir sem a Polônia s2]

quarta-feira, 24 de março de 2010

Grimasse


Era uma daquelas máquinhas de tirar foto que tinham aos montes nos shoppings. (Americanos, claro.) Daquelas em que se entrava carregando alguém e gastava rios de dinheiro por uma foto descente, exigindo de uma máquina, a habilidade de um fotógrafo profissional. Com eles não era assim.
Ali, apertando-se na pequena cabine, preocupavam-se em desfrutar só mais um pouco da companhia do outro. (Ela tinha horário para voltar para casa e definitivamente estava proibida de andar de ônibus depois que resolvera dançar uma tal Marukaite Chikyuu na última vez que andara em um.) Se agarra com uma força absurda ao braço dele (E que braço...!), tentando fazer seu rosto aparecer na foto. Era a cabine que era pequena ou Ludwig que era grande demais? Ludwig, aquele grandalhão de coração meio mole, passa o braço pela cintura dela (Ela estava tão próxima dele à cinco minutos atrás?) e ela acha que pode morrer ali mesmo, naqueles braços musculosos daquele alemão certinho com jeito de general e olhos azuis demais, na sua opinião. Tão azuis que ela podia pensar neles o dia todo. (Como fizera antes e faria para o resto de sua vida.)
Ela ri quando ele resmunga sobre a falta de espaço, ri quando ele a olha corado, ri por tudo e Ludwig, tem quase certeza de que o sorriso dela é mais bonito depois da chuva, como um arco-íris. Ou tão brilhante quanto um pote de ouro. (Lá ia ele divagando. A culpa era da camiseta de duende dela!) Entrelaçam os dedos, como aqueles casais de novela, sorriem mais do que o necessário, hora da foto.

1ª Foto:
Eles estão agarrados com força demais, os olhos dela saíram arregalados e a máquina cortou a cabeça dele.
2ª Foto:
Ela o abraça pelo pescoço, uma careta estranha no rosto.
3ª Foto:
Os indicadores dela forçam os lábios dele para cima. Sorriso forçado, quase psicótico.
4ª Foto:
Ele, vermelho, desviando o olhar. Ela rindo alto, os braços escondendo a estampa de duende da camiseta.
5ª Foto:
Ele a olha de canto de olho.
6ª Foto:
Ela o olha de volta.
7ª Foto:
Ambos sorriem.
8ª Foto:
Ele se beijam.

Porque a culpa não era deles, dos hormônios ou da pressa de se dizerem 'adeus' até o dia seguinte. Era daquela máquina idiota que os apertara demais, que os grudara mais do que era possível. Pelo menos agora eles tinham uma foto descente, ela não suportava mais ver aquelas fotos que tirara escondida de Ludwig. Ele não sorria em nenhuma delas. (Se ela era um duende, ele era seu pote de ouro.)
A culpa era somente da máquina, pensavam. (Enquanto se agarravam mais um pouquinho.) A culpa era só da máquina e daquele calor todo. (O celular dela estava tocando, mas quem se importa?) A culpa era da máquina, do calor e daqueles braços do Ludwig. A culpa era da máquina, do calor, dos braços do Ludwig e do sorriso dela.
(A culpa era dos hormônios.)


Consegui de novo. Quero dizer, o final ficou forçado, estranho, sem sentido, feio, a fanfic em si ficou sem graça, eu não gostei muito não, acho sinceramente que a minha duende preferida merecia algo bem, bem melhor. Mas não deu. Não agora, claro. Um dia eu tento algo melhor. Prometo. Enfim, fiz de todo o coração, duendezinha. Por favor, não me mate. PRESENTE PARA A SAKI MIAZAWA MORGAN.