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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Liberté et couleurs

Correndo descalça sob o céu azul-verão, os pés enlameados cor-de-árvore contra o verde esmeralda da grama molhada de orvalho meio prateado e meio gelo, as mãos para o alto como asas que nunca tocam as nuvens cor-de-neve-porém-mais-quentes, ansiando por um voo solo, pelo vento fresco com sabor de chuva em seus cabelos cor de fogo e de sol e te tudo o que é quente, como ela.
O vestido branco artificial, simples demais e belo de menos a faz parecer uma pomba branca e ruiva, daquelas que voa por último ou daquelas que sempre caem. Mas também a faz parecer um anjo, não daqueles caídos, mas daqueles que ainda não aprenderam a voar, sonhando apenas com as nuvens e com aquele sol dourado cor-de-ovo, bem quente como o cabelo e o sorriso dela.
Ela continua correndo, sem alçar voo algum, ainda com aquele cabelo acobreado chicoteando o rosto voando em seu lugar, com o vento azulado como o céu e com fadas vermelhas como rosas, com folhas da cor da grama debaixo de seus pés e desejos da cor de seu coração. E ainda com os lábios - meio vermelho-desbotados e meio rosa-avermelhados - curvados em direção ao céu, naquela prece meio infantil e mágica e emocionada para um primeiro e último voo, entre as nuvens de inverno e o céu de verão.
Então, cai. Desce de seu céu imaginário feito de brisas mansas com cheiro de terra, jogando-se na grama cor de mata, sujando-se de terra, sentindo o orvalho que ainda não secara contra a pele, aquela sensação de alegria explodindo como fogos de artífício em seu peito e estômago. Não havia borboletas, apenas flores sozinhas com o sussurrar do tempo e com o toque dos braços dela, que mais pareciam asas.
Ali, entre flores também ruivas, olha sonhadora e desejosa para aquelas nuvens todas com aspecto de algodão e gosto de açúcar, as mãos ainda estendidas, pedindo um abraço para comemorar aquela sensação gostosa no peito. Sensação de arco-íris, de liberdade.


Nota: Eu não sei o que me fez escrever isso, talvez a culpa seja mesmo da S. Miyazawa e dos musos e musas mimados dela, que infelizmente só aparecem quando querem. Como eu os usei em trabalho escravo, saiu tudo obviamente forçado. A inspiração não colabora, mas agradeço à Saki, porque ela é a Fada Madrinha mais poderosa do mundo todo e teve a boa intenção de me emprestar sua varinha mágica quando ela mesma precisava escrever.
(Fora que ela corrigiu alguns dos erros de português.) Obrigada, chuchu. ♥
Nota 2: Sim, agora os títulos são em francês. Olha que chique!

sábado, 27 de março de 2010

Sie


"Olha, Yao, se eu colocar a mão assim..." - Ela sorriu meio tímida diante daquela imensidão laranja que era o pôr-do-sol, as mãos se fechando no ar, como que segurando algo tão frágil quanto as flores silvestres sob os pés descalços deles. Yao quase não entendia o que ela falava, concentrado como estava no movimento do cabelo dela quando o vento os envolvia. - "Parece que estou tocando o sol. Sei lá, isso não parece meio mágico?"
"Por que isso, aru?" - Ele se levantou, batendo a terra da calça e caminhou até ela, com aquela calma quase perfeita, um sorriso tão doce nos lábios que tantas vezes beijaram os dela. Segurou seu pulso com delicadeza, olhando-a bem lá no fundo dos olhos. - "O sol está bem aqui."
E ambos sorriram com os dedos entrelaçados com força, porque para ele, não havia outro astro mais brilhante que aquela garota ali ao seu lado.

.x.


"QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?" - Gritou, esperneou e quase morreu quando ela o mandou calar a boca com um olhar. Os olhos esbugalhados grudados nos dela, tão escuros em contraste com os seus. (Quando estava sozinho, pensava que os dela eram infinitamente mais bonitos por sua simples escuridão. Quando ela estava feliz, ele via todas as cores do arco-íris naqueles olhos.) - "O M-MEU CARRO...!"
"Só dei um jeitinho nele, Lud, estava parecendo caminhão de funerária."
"Você pintou um arco-íris...No meu carro?" - Engoliu em seco, incrédulo, mas incapaz de não pensar no quanto ela ficava linda com aquela camiseta toda suja de tinta. Ela sorriu, quase tão brilhante quanto ouro ou pó de fada. (Mesmo que ambos preferissem duendes.) - "Por quê?"
"Porque arco-íris são lindos, oras. Que nem você." - Ela balançou o pincel em um gesto de descaso e gotas azuis de tinta caíram sobre o carro. (Como chuva.)
E ele suspirou, conformado, fitando aquele arco-íris na pintura do seu carro. Pelo menos, agora toda vez que andasse de carro, lembraria dos olhos dela. (Não que ele precisasse ser forçado a isso.)


.x.


"Volta para mim, mulher maluca!" - Os moradores daquela rua olham aquele albino aos berros em plena madrugada, de joelhos diante de uma baixinha com cara de sono e choro.
"Por que?" - Ela sussurra entre os dentes, morrendo de vergonha, ignorando o buquê de rosas que ele lhe estende.
"Porque eu sou incrível demais para levar um fora." - Ele sorri, os olhos brilhantes e as mãos segurando os tornozelos dela. Com força desnecessária, até parece que ela vai fugir pela rua vestida de pijama. Ela lhe dá um tapa e grita qualquer coisa sobre ele ser um banana ou um cara de mamão. Ele a puxa para o chão e encosta sua testa na dela, aquele sorriso sacana ainda maior.
"E porque o que eu sinto por você é ainda mais incrível para poder ser simplesmente ignorado."

.x.

Só porque virou modinha e porque elas merecem tudo isso e muito mais. Já que elas são...Sei lá, notaram que praticamente viramos aquele super trio à lá filme? Como Harry Potter, Um Jeans Viajante e etc? Não? Surto meu? Sabia. Sabe? É que eu realmente considero elas como amigas e não como simples autoras que leram as minhas fanfics. Eu amo vocês, caramba. A Polônia não existe sem as Lituânias.
Nota: 'Sie' pode ser traduzido como 'elas' ou 'ela'.
[Nota da Saki/Nanne: E as Lituânias nem pensam em existir sem a Polônia s2]

quarta-feira, 24 de março de 2010

Grimasse


Era uma daquelas máquinhas de tirar foto que tinham aos montes nos shoppings. (Americanos, claro.) Daquelas em que se entrava carregando alguém e gastava rios de dinheiro por uma foto descente, exigindo de uma máquina, a habilidade de um fotógrafo profissional. Com eles não era assim.
Ali, apertando-se na pequena cabine, preocupavam-se em desfrutar só mais um pouco da companhia do outro. (Ela tinha horário para voltar para casa e definitivamente estava proibida de andar de ônibus depois que resolvera dançar uma tal Marukaite Chikyuu na última vez que andara em um.) Se agarra com uma força absurda ao braço dele (E que braço...!), tentando fazer seu rosto aparecer na foto. Era a cabine que era pequena ou Ludwig que era grande demais? Ludwig, aquele grandalhão de coração meio mole, passa o braço pela cintura dela (Ela estava tão próxima dele à cinco minutos atrás?) e ela acha que pode morrer ali mesmo, naqueles braços musculosos daquele alemão certinho com jeito de general e olhos azuis demais, na sua opinião. Tão azuis que ela podia pensar neles o dia todo. (Como fizera antes e faria para o resto de sua vida.)
Ela ri quando ele resmunga sobre a falta de espaço, ri quando ele a olha corado, ri por tudo e Ludwig, tem quase certeza de que o sorriso dela é mais bonito depois da chuva, como um arco-íris. Ou tão brilhante quanto um pote de ouro. (Lá ia ele divagando. A culpa era da camiseta de duende dela!) Entrelaçam os dedos, como aqueles casais de novela, sorriem mais do que o necessário, hora da foto.

1ª Foto:
Eles estão agarrados com força demais, os olhos dela saíram arregalados e a máquina cortou a cabeça dele.
2ª Foto:
Ela o abraça pelo pescoço, uma careta estranha no rosto.
3ª Foto:
Os indicadores dela forçam os lábios dele para cima. Sorriso forçado, quase psicótico.
4ª Foto:
Ele, vermelho, desviando o olhar. Ela rindo alto, os braços escondendo a estampa de duende da camiseta.
5ª Foto:
Ele a olha de canto de olho.
6ª Foto:
Ela o olha de volta.
7ª Foto:
Ambos sorriem.
8ª Foto:
Ele se beijam.

Porque a culpa não era deles, dos hormônios ou da pressa de se dizerem 'adeus' até o dia seguinte. Era daquela máquina idiota que os apertara demais, que os grudara mais do que era possível. Pelo menos agora eles tinham uma foto descente, ela não suportava mais ver aquelas fotos que tirara escondida de Ludwig. Ele não sorria em nenhuma delas. (Se ela era um duende, ele era seu pote de ouro.)
A culpa era somente da máquina, pensavam. (Enquanto se agarravam mais um pouquinho.) A culpa era só da máquina e daquele calor todo. (O celular dela estava tocando, mas quem se importa?) A culpa era da máquina, do calor e daqueles braços do Ludwig. A culpa era da máquina, do calor, dos braços do Ludwig e do sorriso dela.
(A culpa era dos hormônios.)


Consegui de novo. Quero dizer, o final ficou forçado, estranho, sem sentido, feio, a fanfic em si ficou sem graça, eu não gostei muito não, acho sinceramente que a minha duende preferida merecia algo bem, bem melhor. Mas não deu. Não agora, claro. Um dia eu tento algo melhor. Prometo. Enfim, fiz de todo o coração, duendezinha. Por favor, não me mate. PRESENTE PARA A SAKI MIAZAWA MORGAN.

Hand in Hand



(1)
Yao passa o polegar pela pele dela, um sorriso doce demais, quase enjoativo domina seus lábios, por mais que ele tente se controlar. Não gosta de mostrar para todos os passageiros do ônibus que está apaixonado pela garota ao seu lado, se bem que por ela, ele se pintaria de ouro e correria pelas ruas gritando à plenos pulmões:
"WO AI NI, WO AI NI, ARU...!"
(2)
Ela aperta a mão dele com mais força, o pé batendo contra o chão do ônibus no ritmo da música que juntos eles ouvem. Yao não havia visto que ela estava sorrindo, aquele mesmo sorriso bobo de tempos atrás. E ainda hoje, quando ele a via, o coração disparava. Ás vezes ele odiava aquilo, na maioria das vezes gostava de estar apaixonado. (Por ela, claro.)
(3)
"Ainda vou aprender a cantar 'Hello China'!" - Ela diz, os olhos escuros fixados nos dele. Ela usa um tom de promessa, daquelas promessas malucas dos contos de fadas, como se aprender a cantar uma música em japonês fosse um assunto de vida ou morte. (Ele iria logo atrás se ela morresse.) Ou pelo menos, uma...
(4)
...Uma jura de amor. Daquelas com tema musical e lágrimas de uma plateia imaginária. Daquelas que não se esquece com o tempo, daquelas reais, daquelas que não precisam ser ditas. Daquelas que combinavam com eles.
"Eu te ensino a cantar, aru."
(5)
Ela sorri aquele sorriso só dele, aquele de quando se conheceram, Yao não se lembrava aonde ou quando. Só conseguia lembrar de não ter tirado seus olhos dos dela.
"Mesmo?"
(6)
"Claro, aru." - Yao sorri de volta, achando que eles bem poderiam estar sendo observados por todos, todos os passageiros do ônibus. Quem se importa? Agora ele sabia que poderia dizer para todo o mundo que não estava apaixonado. Estava amando.
(7)
E finalmente, finalmente mesmo...Eles se beijam.

(Fim?)



Eu tinha que escrever. Sei lá, eu também precisava de um post para você aqui, então saiu isso. Espero mesmo que você tenha gostado, por que até que eu achei fofo, sabe? E um fato pouco conhecido é que Sunrise e China é O casal. Logo depois de Lituânia e Polônia (ou LituâniaxPolôniaxLituânia), claro. Enfim, consegui. Agora, claro, falta uma da minha outra Lituânia preferida com o Alemanha. Ou não serei feliz. DUENDE, EU ESTOU INDO, AGUENTE FIRME!
OBS: Hand in Hand é 'De mãos dadas' em alemão.




segunda-feira, 22 de março de 2010

Klee und Gold


Klaus Fritzen Conteville sorri, aqueles dedos finos passando calmos pela capa gasta de um livro folheado à ouro. Sabe quando se sente saudade? Saudade do que nunca teve? Ele não sabia, mas sentia, os lábios curvados tolamente enquanto a imagem da capa retribui seu olhar. Era um daqueles duendezinhos do Reino Unido, daqueles que moravam no fim de um arco-íris. - A única diferença é que aquele duende não era ele, era ela. Entrelançando seus dedos em trevos de quatro folhas, a expressão espivetada. - Se interessava por todo o tipo de literatura, entregar-se a um livro era quase que um ritual a ser seguido rigorosamente todas as noites. Porém, Klaus sabia que podia deixar mais alguns textos e aulas de lado só por uns momentos. Só para poder entregar-se mais uma vez àqueles olhos brilhantes.



Foi o que deu para sair em três minutos e alguns segundos. Saiu forçado, mas de alguma forma eu tinha que retribuir, sabe? De alguma forma. Por isso, muito obrigada. S. Miyasawa Morgan.

domingo, 21 de março de 2010

Der verlorene Sohn



Chão de terra batida, cheiro de chuva, sabor de lágrimas. Aquela sensação de pesar, de culpa. O ar perfumado por saudade, uma necessidade de calar seus gritos desesperados – Gritos sussurrados, mudos, guardados no fundo do peito. Gritos que matam.
Lágrimas com gosto de injustiça, olhos cheios de ódio. A pele seca, os dentes trincados contendo maldições direcionadas à Deus. “Por quê?” – Os lábios se movem, a voz baixa hesita em contestar a vontade divina. Punhos fechados, raivosos por serem incapazes de acertar o culpado. Deus é o culpado. – Pensava. -Porque era Ele quem decidia tudo e foram seus anjos que a levaram. Levaram-na para o Céu.
Onde ele não podia vê-la, onde suas músicas não o alcançam, onde seus braços não o protegem. Onde ela não era mãe. E ele já não era filho. – Porque Deus lhe arrancara sua mãe quando ele mais precisava. Porque Deus já havia levado seu pai. E Deus não o queria. Não o levava. Não o levaria.
A falta de ar, a névoa que o cerca, predadora voraz. Os olhos cerrados, o corpo trêmulo. O túmulo. – Ah, o túmulo...! – Feio. Triste. Sozinho. Não era como sua mãe, não era para ser dela. Deveria ser do culpado, ser de Deus e de seus anjos por tiraram-lhe a pessoa que mais amava.
Os joelhos no chão, praguejando. O choro contendo-se no peito, matando. Os ouvidos sedentos por palavras. Palavras que não fossem de pena, palavras doces como as dela. A voz dela.
O corpo frio, clamando por calor, enquanto seu coração só pede pelos braços dela. – Uma última vez. Uma despedida decente, uma chance de dizer que a ama, que sentiria sua falta. Uma chance para dizer que queria ir para o Céu, para ser seu filho.
Ah, a vontade. A vontade de morrer. De morrer e encontrá-la. E dizer que não era o culpado, era a vítima, como ela. A chance de encontrar Deus e mandá-Lo esquecê-la, deixá-la. Era a sua mãe, não Dele. A vontade de poder dizer que ainda na terra ou no Inferno, ainda era seu filho. Ainda era dela.
Chão de terra batida, cheiro de chuva, sabor de lágrimas. E um filho pródigo que volta para casa.


Nota da Autora: Quando você tem na cabeça que terá três tempos de química, dois de física, um de biologia e um de matemática desde as 7 da manhã até 13h30min da tarde, você simplesmente não consegue escrever. Ou sequer respirar.
Créditos para a Saki Miyazawa Morgan, que postou isso daqui quando o site resolveu implicar.