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quarta-feira, 14 de julho de 2010

I'm sorry for protecting you.

"Raiza, espera." - Hermes sussurrou e sua voz era tão delicada quanto seu toque no pulso da garota e quase tão triste quanto o canto de Orfeu, tivesse ele sabido que ela nunca fora e nunca seria como as outras meninas de sua idade. Ao menos, ainda havia tempo para consertar um erro que aos olhos de um deus era tão bobo quanto seus sorrisos para ela, mas ao mesmo tempo tão grave, tão terrível aos olhos dela, que era humana. - "Por favor, não vá."
"Por quê?" - Resmungou ela, soltando-se do aperto leve e recolhendo o pulso junto ao peito. - "Vai querer me levar para casa também? Me acompanhar para todos os lugares? Ah, não, espera... - Olhou-o irritada, Hermes quase via faíscas em seus olhos escuros. - ...Você já faz isso! E quer saber, Hermes? Eu estou cansada disso tudo, de ser tratada como criança. Vá embora e nunca mais..."
Porém, Raiza nunca conseguiu completar o que ia dizer, vendo-o tão abatido e tão, tão, tão triste quanto...Bom, quanto ela. Então soltou os sapatos na grama molhada, cruzou os braços na altura do peito, respirou fundo e franziu o cenho, da mesma forma que fizera quando se conheceram. Ele piscou, desviou o olhar, abriu a boca e nada disse por segundos. Suspirou uma, duas, três vezes enquanto ela revirava os olhos.
"E então?"
"Desculpe. Sei que exagero, que a irrito e que sou ridículo com toda essa minha obsessão por acompanhá-la, mas, Raiza, tente entender que o mundo já não é como era quando eu era jovem, tudo é tão perigoso e... - Ela abriu a boca para protestar, mas o indicador dele tocou seus lábios por um segundo, silenciando-a. - E eu não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, tenho medo de perdê-la para um dos ladrões que protejo ou para Tánatos. Entende? Eu a amo."
Um minuto se passou, talvez dois. Eles não piscaram e continuaram se encarando, ecanrando, encarando sérios e tristes. Então Hermes viu algo nos olhos dela e abriu os braços no exato momento em que ela o abraçava tão forte como Héracles nunca seria.
"Pelos deuses, eu o amo!" - Disse e os dedos dele corriam por seu cabelo, sempre muito delicados quando ele deu uma risadinha satisfeita. - "E então, Hermes?"
"O quê?"
"Vai me levar para casa?"
Ele beijou sua testa.
"Sempre que desejar."

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Habitude et dialogue [3]

"Sai daí! Agora!" - Ele esmurra a porta, a voz claramente irritada. - "Abre essa porta, Sonnenwende!"
"Não!" - Ela grita de volta, mais irritada ainda. Ele respira fundo, fala algum palavrão em alemão, fecha os olhos e soca a porta. Ela nem se abala.
"Então me deixa entrar."
"Está louco?! Você não vai tomar banho comigo, se está apertado, usa o outro banheiro."
"Por que não admite que está fugindo de mim?" - Sussurra e encosta a testa na porta. Ele nunca achou que doía tanto ser ignorado por ela, que sentiria tanta a falta, que seria evitado tão perfeitamente por dias. Era verdade que ela demorava no banho, mas nunca trancara a porta. Não para ele.
"Sonnenwende..." - Ele diz um pouco mais alto, as mãos espalmadas na porta - maldita fosse por separá-los! - e a voz sofrida. - "Eu amo você."
Lá dentro, ela finge não ouvir, chorando baixinho.

Habitude et dialogue [2]

"Você não vai parar de ler?" - Ele resmunga, sentado do lado dela, na grama. Não que fosse um safado, mas quando ela o chamara para irem ao parque, imaginou que faria outra coisa além de observá-la ler. - "Nem por um minuto?"
"É meu livro preferido, Lud. Você sabe disso, daqui à pouco eu falo com você. Já, já acabo." - Ela nem se deu ao trabalho de olhá-lo, ele nunca se imaginou com ciúmes de livros. Até um momento atrás, ele gostava deles.
"Princesa?" - Ele sussurra.
"Quê?" - Ela o olha. - "O que você tanto quer que não possa esperar?"
"Olhar nos seus olhos." - E ela sorri. Talvez o livro pudesse esperar um pouco.

Habitude et dialogue [1]

"Nanne?" - Ela grita de susto e se vira, os cabelos caindo nos olhos escuros, a boca escancarada. Ele finge não notar, os olhos brilhantes grudados nos dela. - "Você nunca me contou que dançava no quarto, aru."
"S-Sério, por que você não bateu?!" - Ela gagueja e desvia o olhar, o rosto ardendo. Ele sorri como sempre, mas daquela vez o sorriso era só dela.
"Eu bati, aru, mas você sempre ouve música aos berros." - Ele se aproxima e tira o celular da mão dela. - "Sabia que você fica muito sensual quando dança?" - Ela levanta a sobrancelha, a mensagem é clara. Chama-o de louco, mesmo que se rendendo àquele sorriso. - "E que eu te acho muito bonita quando fica vermelha, aru?"
"Yao, você...." - Ela teria dito que ele tem problemas, mas foi beijada. Como sempre.