sexta-feira, 5 de novembro de 2010

I'm not good with words, sorry.

"Livros e solidão: eis o meu elemento."
Sou obrigada a concordar com Benjamin Franklin, claro. Sinto-me deveras orgulhosa de me identificar com aqueles homens considerados gênios e coisas do tipo, embora eu e Franklin só tenhamos em comum essa mesma ideia dos livros - minha relação com a eletricidade se resume a acender a luz ou a ligar algum aparelho.
Porém, em minha vaga interpretação, acredito ter mais em comum com ele do que pensava. Quero dizer: livros e solidão, solidão e livros. Não é isso que eu tenho sido desde... sempre? Por mais que seja para mim impossível estar sozinha em meio aos livros? Desculpe-me, caro leitor, mas tenho o estranho costume de me tornar íntima das personagens sobre as quais leio. É excêntrico, mas funciona para mim. Amo cada amigo meu como se ele fosse único, mas aquele contentamento de abrir um livro, virar suas págimas e deixar o autor lhe pegar pela mão e apresentá-lo a qualquer coisa que ele queira é tão, tão especial quanto um abraço apertado em uma segunda-feira tediosa.
Gosto de pensar que para cada livro que leio, faço um novo amigo. Porque, para tímidas leitoras vorazes como eu, talvez seja essa a sensação. Você não o conhece e há certa relutância, mas sabe que precisa dizer 'olá'. Aos poucos - para alguns durante umas semanas ou meses e para outros um dia ou dois - se ganha intimidade e certo apego, começa uma amizadezinha que através daquele diálogo entre livro e leitor torna-se um relacionamento profundo. Cada livros que lemos, nos marca, basta que você dê a chance. Cada livro pode se tornar um amigo, basta querê-lo.
Eu também poderia dizer que ler um livro é como beijar. Um olhar, uma química, uns batimentos cardíacos. Será que você consegue me descrever um beijo? Não um beijo que é só mais um entre tantos, isso qualquer um faz. Será que você consegue me descrever um beijo de verdade, daqueles de filmes? Com tanto sentimento que até parece exagerado? Não que realmente seja tão exagerado assim, quem já passou por isso sabe. É uma sensação que não se descreve, óbvio. Se conhece.
Acho que entregar-se a um livro é como beijar uma pessoa que você ama: é algo só entre vocês, que não se explica não por falta de palavras, mas porque existem coisas que não precisam delas. Não é pelo olhar que se vê a alma? Não é pelo sorriso? Não se descreve a sensação de ter um livro nas mãos, cabeça ou alma, se tem e ponto.
Talvez eu não esteja falando coisa com coisa. Não seria a primeira vez, é claro e não será a última, posso garantir. Acho que não consigo explicar. É mais que fazer um amigo para toda uma vida, é mais que um beijo cheio de amor, é mais do que muita coisa que se vê por aí. Às vezes acho que ler um livro é mergulhar no fundo de mim mesma e me deixar afogar.
Não. Não. Não! Passei linhas e linhas dizendo que não se descreve a sensação de ler e cá estou, forçando-me a descrevê-la. É tão especial quanto enrolar-se em um cobertor e ouvir a chuva lá fora ou ficar entre os amigos só falando besteira. Entendo, porém, que nem todos compartilham dessa obsessão literária e até me sinto meio boba, falando dessas coisas para quem talvez nem queira ouvir. Acho que é normal me chamarem de louca, então. Eu até que gosto de monólogos mesmo!
Como foi que Clarice Lispector disse uma vez? "Ter loucura sem ser doida", ou algo do gênero. Talvez seja isso, então: entrar em um livro é loucura. Mas quem disse que isso é ruim?
Uma ou mil possibilidades e um beco sem saída: eis uma porca definição!

1 comentários:

Tangerina disse...

Coisa mais linda e verdadeira que eu já li na vida. ♥

Postar um comentário