quinta-feira, 29 de abril de 2010

Nouvelle


Eu a conheci no início do ano, era talvez o segundo ou terceiro dia de aula. Me sentei na frente dela, minha melhor amiga havia faltado e não havia ninguém com quem eu poderia fazer meus comentários geniais e sem graça sobre cada novo figurão que iria nos dar aula. Sobrou para ela.
E, sei lá se ela me achou divertida, engraçada e tals, provávelmente ela tenha trauma com baixinhas agora, mas desde aquele dia eu já gostei dela. Ela era simpática - cacete, ela riu das minhas piadas infelizes! - e não demorou muito para conversas no meio da aula virarem uma amizade que já começara com tudo. Em menos de um ano já sei tudo da vida dela com o namorado e ela já leu mais contos meus do que minha melhor amiga. Se bem que agora, sei que ela é tão importante quanto. Não acho que quatro meses de amizade sejam tão pouco assim, quando um não quer dois não brigam, eu adoro ela. E não é só porque ela me faz rir com suas piadas pornográficas, com suas histórias, com seus comentários e com seu tchá tchá tchá. Eu adoro ela porque ela é a uma morena pálida que teve coragem o suficiente para ser minha amiga. E eu a admiro demais por isso, é preciso ter pulso para me aturar às sete da manhã.
E ela sabe - porque eu contei - que eu não estou conseguindo escrever nada que preste aqui. Ela sabe e se Deus quiser, ela vai entender. Porque ela é fofa e meiga e amiga o suficiente para isso.
Tchá, tchá, tchá, Bruna. Eu adoro você.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

À première vue

Estava indo para casa depois de um tipo de simulador de vestibular, exausta e indignada por ter feito quatro provas seguidas da mesma matéria em apenas três tempos de aula. Uma delícia, em outras palavras. Olho para frente e o vejo, um cara bonito, pele morena, olhos escuros, cabelos mais escuros ainda. Pintado de verde, usando um short ferrado, segurando um copinho de plástico daqueles que eu rasgava psicoticamente quando criança. Sorrindo para mim, aqueles sorrisos enormes que chegavam aos olhos e ficavam por lá.
"Oi." - Ele me para. - "Tem algum dinheiro aí? É para o trote da faculdade, juro que não vou gastar com drogas."
"Hm, não." - Eu rio tímida, olhando para o chão.
"Poxa, você vai passar por isso, sabia?!"
"É, eu sei, mas...Ah, deixa eu ver aqui. Diz aí, você passou em quê?" - Puxo assunto, tentando me achar com todos os bolsos da minha mochila. Sempre pergunto isso para os caras do trote da faculdade, fico esperando que um futuro jornalista apareça e me diga como é.
"Engenharia de produção."
"Eca. Detesto matemática, nem fala comigo." - Faço graça e ele ri. O sorriso dele era bonito demais, sincero demais e ele não tirava os olhos dos meus. Não era estranho, gosto de quem fala olhando nos olhos, mas...Sei lá, o olhar dele era meio...Brilhante demais.
"Por quê?"
"Sei lá, não gosto, ué. Vou ficar no meu jornalismo mesmo."
"O quê?! Você não vai fazer engenharia de produção?!"
"Hã, não acabei de dizer que detesto matemática?"
"Não importa, não tem garotas bonitas como você por lá. Faça engenharia de produção, beleza?"
"Oi?"
"Sério, faz engenharia de produção!" - Ele quase implora. Eu o olho assustada, só me faltava ele se jogar aos meus pés e chorar. Me afasto um pouco, segurando a vontade de rir. Ou de sair correndo.
"Por quê?"
"Porque quando você entrar, vamos nos encontrar, nos conhecer melhor e aí eu vou poder te pedir em namoro!"
"Hã...?!" - Tá, dessa vez eu rio alto. O cara era pirado. Completamente pirado.
"Faz isso por mim, nós vamos ter um futuro juntos, cara."
"Ah, olha. Tenho 50 centavos. Serve, né?" - Sorrio, não dava para olhar nos olhos deles. Eram sinceros demais, achei que ele fosse se ajoelhar e me pedir em casamento ali mesmo. Ou coisa pior. Então coloco a moeda no copinho dele e vou me afastando, acho que minhas bochechas estavam tão vermelhas quanto um tomate. Por mais que isso seja clichê.
"Tá beleza, mas isso não muda nada. Eu vou achar você na faculdade, heim?" - Ele ri, mas não soa ameaçador. Eu o ignoro e vou andando, pensando no quanto tem gente doida e apaixonada nesse mundo. E em como eu sempre atraio gente estranha. Olho para trás, ele pisca para mim e sai andando, com aquele jeito meio malandro, meio alegre. Bem brasileiro.
Não nego que ele mexeu comigo, acho que ele não estava de brincadeira não.


(E isso aconteceu mesmo. Foi...Surreal.)
Agora a frase da Nanne faz todo o sentido. E isso me assusta:
"Você procura por mim e eu procuro por você. Uma hora a gente se encontra."

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Habitude et dialogue [3]

"Sai daí! Agora!" - Ele esmurra a porta, a voz claramente irritada. - "Abre essa porta, Sonnenwende!"
"Não!" - Ela grita de volta, mais irritada ainda. Ele respira fundo, fala algum palavrão em alemão, fecha os olhos e soca a porta. Ela nem se abala.
"Então me deixa entrar."
"Está louco?! Você não vai tomar banho comigo, se está apertado, usa o outro banheiro."
"Por que não admite que está fugindo de mim?" - Sussurra e encosta a testa na porta. Ele nunca achou que doía tanto ser ignorado por ela, que sentiria tanta a falta, que seria evitado tão perfeitamente por dias. Era verdade que ela demorava no banho, mas nunca trancara a porta. Não para ele.
"Sonnenwende..." - Ele diz um pouco mais alto, as mãos espalmadas na porta - maldita fosse por separá-los! - e a voz sofrida. - "Eu amo você."
Lá dentro, ela finge não ouvir, chorando baixinho.

Habitude et dialogue [2]

"Você não vai parar de ler?" - Ele resmunga, sentado do lado dela, na grama. Não que fosse um safado, mas quando ela o chamara para irem ao parque, imaginou que faria outra coisa além de observá-la ler. - "Nem por um minuto?"
"É meu livro preferido, Lud. Você sabe disso, daqui à pouco eu falo com você. Já, já acabo." - Ela nem se deu ao trabalho de olhá-lo, ele nunca se imaginou com ciúmes de livros. Até um momento atrás, ele gostava deles.
"Princesa?" - Ele sussurra.
"Quê?" - Ela o olha. - "O que você tanto quer que não possa esperar?"
"Olhar nos seus olhos." - E ela sorri. Talvez o livro pudesse esperar um pouco.

Habitude et dialogue [1]

"Nanne?" - Ela grita de susto e se vira, os cabelos caindo nos olhos escuros, a boca escancarada. Ele finge não notar, os olhos brilhantes grudados nos dela. - "Você nunca me contou que dançava no quarto, aru."
"S-Sério, por que você não bateu?!" - Ela gagueja e desvia o olhar, o rosto ardendo. Ele sorri como sempre, mas daquela vez o sorriso era só dela.
"Eu bati, aru, mas você sempre ouve música aos berros." - Ele se aproxima e tira o celular da mão dela. - "Sabia que você fica muito sensual quando dança?" - Ela levanta a sobrancelha, a mensagem é clara. Chama-o de louco, mesmo que se rendendo àquele sorriso. - "E que eu te acho muito bonita quando fica vermelha, aru?"
"Yao, você...." - Ela teria dito que ele tem problemas, mas foi beijada. Como sempre.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Éternellement

Escuta, eu só queria dizer que você sempre será minha melhor amiga. Quando você fica calada, olhando para o nada, você é minha melhor amiga, quando você é cruel sem saber e me machuca bem la no fundo, você é minha melhor amiga, quando vem aquele silêncio incômodo e a gente se ignora, você é minha melhor amiga. Sempre foi, entende? Você diz que cinco anos não são nada, muitas vezes você nem liga, mas eu não me importo? Porque naquela vez você disse que eu era sua irmãzinha e eu vou acreditar nisso, até ficar bem velhinha e morrer. Porque naquela hora eu fiquei muito feliz, de verdade.
Mesmo, não me importo. Algumas coisas mudaram, sim, mas nunca se sabe. Eu sei que a gente vai dar um jeito, porque a sempre dá. Lembra? De tudo pelo o que a gente passou? Daquelas risadas, daqueles abraços, das minhas e das suas lágrimas, da troca de olhares, daquela telepatia, das discussões bobas que terminavam em risos histéricos, das histórias, dos micos. Talvez você não lembre, talvez você não ache importante, talvez qualquer coisa.
Apesar de qualquer coisa que possa acontecer, você ainda é e sempre, sempre será minha melhor amiga. Porque você foi durante todos esses anos e eu sei, de alguma forma eu sei, que você continuará sendo.
E quando o professor perguntou quem era a pessoa mais importante para a gente na sala, eu logo pensei em você. Porque eu sempre fico muito feliz quando tudo parece ser como antes, quando a gente esfrega na cara de todo mundo que ainda estamos aqui, firmes e fortes e que assim continuará sendo. Para sempre. Eu já disse, garota, você é minha melhor amiga, não importa o que você ou qualquer outra pessoa diga.
Por isso, me promete uma coisa? Nem é muita coisa, eu só queria pedir para tudo continuar como sempre foi, para sempre e mais um pouco. É que eu acredito que já nem é um caso de ser melhor amiga ou não, sabe? Não faz muito tempo, mas você já é uma irmã. A minha irmã mais velha. Para sempre.
Eu amo você, nee-sama.
(Não se esquece disso. Nunca.)
PS: Quando você disse que havia perdido a pedra, eu fiquei apavorada, mas eu sabia que você ia dar um jeito de achá-la. Porque era a pedra da nossa amizade.
PS²: E eu menti, é claro que eu iria catar outra pedra com você. Sempre.



domingo, 18 de abril de 2010

Bon voyage!

Já não me importa a distância, já não me importam os problemas, já não me importa o quanto demore. Eu só sei que um dia eu chego, não importa quantos passos eu dê ou o quanto minhas pernas doam, sei que irei chegar lá, que vai valer a pena, que toda essa distância sufocante será apenas um passado grotesco, um incômodo, um erro do destino por ousar tentar nos manter separadas.
Mas eu juro, juro que será por pouco tempo. Juro que irei me esforçar para percorrer toda essa estrada, que vou vencer essa distância, que farei uma viagem mágica sobre um arco-íris e que irei encontrá-las, que irei abraçá-las com força, que vou chorar, que vou rir, que vou ficar me sentindo uma boba, que vou matar as saudades e que irei impedir que essa distância toda volte, que voltem a nos separar.
Porque lutar contra o destino por vocês, vale à pena. Porque saber que em algum lugar eu tenho vocês, pensando em mim dessa forma tão fofa e amável e meiga e verdadeira, é mágico e me dá forças para dar um jeito de correr até vocês, não me importa a dor dos meus pés, eu chego até aí, nem que seja à pé, nem que seja nadando, nem que seja carregada por pombos. Eu chego e vou abraçar vocês, minhas amigas queridas que eu amo.