domingo, 21 de março de 2010

Der verlorene Sohn



Chão de terra batida, cheiro de chuva, sabor de lágrimas. Aquela sensação de pesar, de culpa. O ar perfumado por saudade, uma necessidade de calar seus gritos desesperados – Gritos sussurrados, mudos, guardados no fundo do peito. Gritos que matam.
Lágrimas com gosto de injustiça, olhos cheios de ódio. A pele seca, os dentes trincados contendo maldições direcionadas à Deus. “Por quê?” – Os lábios se movem, a voz baixa hesita em contestar a vontade divina. Punhos fechados, raivosos por serem incapazes de acertar o culpado. Deus é o culpado. – Pensava. -Porque era Ele quem decidia tudo e foram seus anjos que a levaram. Levaram-na para o Céu.
Onde ele não podia vê-la, onde suas músicas não o alcançam, onde seus braços não o protegem. Onde ela não era mãe. E ele já não era filho. – Porque Deus lhe arrancara sua mãe quando ele mais precisava. Porque Deus já havia levado seu pai. E Deus não o queria. Não o levava. Não o levaria.
A falta de ar, a névoa que o cerca, predadora voraz. Os olhos cerrados, o corpo trêmulo. O túmulo. – Ah, o túmulo...! – Feio. Triste. Sozinho. Não era como sua mãe, não era para ser dela. Deveria ser do culpado, ser de Deus e de seus anjos por tiraram-lhe a pessoa que mais amava.
Os joelhos no chão, praguejando. O choro contendo-se no peito, matando. Os ouvidos sedentos por palavras. Palavras que não fossem de pena, palavras doces como as dela. A voz dela.
O corpo frio, clamando por calor, enquanto seu coração só pede pelos braços dela. – Uma última vez. Uma despedida decente, uma chance de dizer que a ama, que sentiria sua falta. Uma chance para dizer que queria ir para o Céu, para ser seu filho.
Ah, a vontade. A vontade de morrer. De morrer e encontrá-la. E dizer que não era o culpado, era a vítima, como ela. A chance de encontrar Deus e mandá-Lo esquecê-la, deixá-la. Era a sua mãe, não Dele. A vontade de poder dizer que ainda na terra ou no Inferno, ainda era seu filho. Ainda era dela.
Chão de terra batida, cheiro de chuva, sabor de lágrimas. E um filho pródigo que volta para casa.


Nota da Autora: Quando você tem na cabeça que terá três tempos de química, dois de física, um de biologia e um de matemática desde as 7 da manhã até 13h30min da tarde, você simplesmente não consegue escrever. Ou sequer respirar.
Créditos para a Saki Miyazawa Morgan, que postou isso daqui quando o site resolveu implicar.

2 comentários:

Saki Miyazawa Morgan disse...

Se você não consegue escrever e faz algo assim... Imagine quando consegue.

Nem dá pra racionalizar muito. Só sentir, especialmente a última frase. Dói no coração, sabia?

E nem estou fazendo sentido mais, mas OK.

Amei cada linha, sempre <3

Da sua duende favorita ;*

Sunrise disse...

...

Me deixou sem palavras.

Sério, acho lindo que você tenha escrito isso. Geralmente, as pessoas só escrevem sobre amor e estar apaixonado e ser rejeitado, mas acho que o tema "família" é muito mais abrangente e amplo e maravilhoso de se trabalhar. E isso foi lindo e doloroso, principalmente para alguém como eu, que sempre coloca a família em primeiro lugar.

Te amo, Polksa S2

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