quinta-feira, 15 de abril de 2010

Prendre son élan

Eu estava usando meu macacão, daqueles jeans que estavam na moda antigamente e meus sapatos de boneca vermelhos cereja. Costumo chamá-los de sapatinhos de Dorothy, enquanto rio e balanço os braços. (Perigosa e espalhafotasamente demais, diriam alguns.)
Era tudo bem simples. Chegar, desviar de poças nojentinhas, encontrar um lugar na sombra, ligar o MP3 do celular no máximo e ignorar quem quer que se aproximasse, sem nem perguntar se era amigo ou inimigo. E então, eu o vi. (Ah, cara. Que merda!) Tudo meticulosamente planejado e jogado no lixo por causa de um velho amor. Sério, que que aquele balanço estava fazendo ali? Ainda mais todo pintadinho, novinho e bonitinho? Praticamente gritando para que eu corresse até lá como nos velhos tempos e acabasse com meu lindo e fofo sapatinho vermelho. Juro, uma placa pisca-pisca daquelas que vemos em Vegas seria muito mais discreta.
Então, lá fui eu, o MP3 ligado nas alturas, berrando em meus ouvidos enquanto eu mesma ria histéricamente e corria tão rápida quanto uma maratonista.
Eu acabei com o meu sapato. De vermelho cereja limpinho e cheiroso ele passou para cor de barro com grama e aspécto de bota de exército que acabou de voltar de uma guerra. Mas foi muito bom.
Fazia tempo que eu não me sentia tão livre, leve e solta. Eu sorria para o nada e gargalhava quando sentia aquele friozinho na barriga durante a vinda do balanço. A sensação do vento frio no meu rosto era muito boa, sentir meus cabelos voando atrás de mim era divertido, ir cada vez mais alto, até quase alcançar a árvore enquanto tentava segurar o celular e se segurar ao mesmo tempo era...Demais. Tudo isso ouvindo "She's a Lady" do Forever The Sickest Kids por vezes e mais vezes seguidas e com uma sensação quente no peito, de satisfação. Porque ainda estavam na minha cabeça, lembranças boas que guardarei no coração, eternamente. E ali, me balançando como quando eu era criança e obrigava minha avó a me levar na pracinha só para brincar no balanço, não importando o tamanho da fila cheia de crianças remelentas, eu me senti feliz como nunca antes, quase voando. Não foi uma sensação de liberdade ou de independência. Foi uma sensação de viagem ao passado, de me lembrar que eu adorava tudo aquilo quando criança e que ainda gosto, só deixei muita coisa de lado.
Por pouco tempo, prometo. Prometo recuperar tudo, como o vai-e-vem de um balanço colorido. Impossível descrever aquela sensação, aquele calorzinho gostoso que sentimos quando...Bom, matamos a saudade.


Isso tudo é verdade, aconteceu mesmo.

3 comentários:

Sunrise disse...

AEAEAEAEAE, ATÉ HOJE EU BRINCO EM BALANÇO, KOE!

E sim, eu sei como você se sentiu. O bom de sermos mais velhas agora é que podemos passar na frente daquele monte de criança chata s2

(Nota: quando a gente tinha que ficar naquela fila e sempre falavam pra sair depois de um tempo pra dar lugar pros outros, eu nunca saía, e não havia Cristo que me tirasse de lá /rly.)

Enfim. Quase lírico, como sempre [?]

Saki Miyazawa Morgan disse...

Mas que graça, Sols. E que legal poder voltar a fazer uma coisa boa da infância. Relato lindo e lufante, como sempre ♥

(E eu sou a única aqui que nunca brincou num balanço. Me sinto uma alienígena, srsly.)

Anna Laura disse...

AMEI O BLOG! Tá lindo, e os textos também! *--*

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